Info

Marcelo diz que este "não é o momento ideal" para discutir a Lei de Bases da Saúde

Marcelo diz que este "não é o momento ideal" para discutir a Lei de Bases da Saúde
| Política
Porto Canal com Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse este sábado que este "não é o momento ideal" para discutir a Lei de Bases da Saúde, considerando preferível que esta fosse discutida em "princípio de legislatura".

"Não é a altura ideal - é preferível um princípio de legislatura a um fim da legislatura - para debates serenos. Há sempre mais tempo no início da legislatura, mas as realidades sucedem quando sucedem. Não é possível programar de forma assética e neutral o momento em que os debates ocorrem. É o momento ideal? Não é. Mas é o que existe", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República que falava, na Reitoria da Universidade do Porto, na conferência "O Sistema de Saúde para o Cidadão" abordou o tema da nova Lei de Bases da Saúde, cujas negociações estão a decorrer, mas admitiu que estar a ser "intencionalmente abstrato e genérico" para refletir sobre uma questão "sem o melindre de poder ser considerado condicionante ao trabalho da Assembleia da República".

Isto num dia em que o jornal Público escreve que se Marcelo vetar a nova Lei de Bases da Saúde, porque o PSD fica de fora da sua aprovação, pela primeira vez o PS irá avançar com a reconfirmação parlamentar, sem alterações, o que pode significar, refere o diário, o primeiro grande braço-de-ferro entre o Governo e o Presidente da República.

Questionado sobre esta matéria, à margem da conferência, Marcelo Rebelo de Sousa frisou a ideia de que o Parlamento está a trabalhar, razão pela qual lhe cabe "aguardar".

"Vamos esperar. É prematuro fazer conjeturas sobre um trabalho que está em curso no Governo", referiu.

Já antes, quando discursava numa sala onde também estava a ministra da Saúde, Marta Temido, Marcelo Rebelo de Sousa disse que agora tinha de "esperar, acompanhar e aguardar os próximos debates na esperança de não ter de rediscutir a lei.

"Por mais agradável que seja, espero que não tenhamos de nos reencontrar para rediscutir a Lei de Bases da Saúde por termos chegado à conclusão de que a discussão que foi feita afinal tinha sido apenas a antecipação de uma discussão definitiva", disse o Presidente da República.

Antes, o chefe de Estado falou em "larguíssimo consenso quanto ao diagnóstico da saúde em Portugal", preocupando-o mais a "terapêutica" e "uma das dificuldades da política" que é do seu ponto de vista o facto de não existir "política sem retórica".

"O esforço a introduzir em todos os debates é tentar separar a retórica da substância. O interessante neste ponto do debate é ver se é possível passar e quanto é que é possível passar no consenso no diagnostico para o consenso na terapêutica (...). Há tanto a aproveitar no consenso do diagnóstico que vamos ver se é possível carregar para a terapêutica, sobretudo numa Lei de Bases", desenvolveu.

Por fim, outra das ideias chave de um discurso que se centrou na importância do Serviço Nacional de Saúde e de que as discussões e debates têm de ser feitos "a pensar nos portugueses" foi a de que Marcelo Rebelo de Sousa prefere "retas a atalhos e encruzilhadas".

"Não sendo eu bom a matemática - parei a matemática no sétimo ano do liceu - aprendi que o caminho mais próximo entre dois pontos é uma reta, exceto na política. Na política por vezes, surpreendentemente, o caminho mais direto entre dois pontos é um caminho sinusoidal, cheio de altos e baixos, avanços e recuos", disse.

O Presidente da República desejou que o debate sobre a Lei de Bases da Saúde seja "sereno, compreensivo e rico" e que decorra de forma "racional, livre, independente".

À margem da sessão, face à insistência sobre a sua posição sobre esta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa repetiu que não se pode "antecipar" ao trabalho da Assembleia da República, dizendo que "uma coisa é o Presidente da República desejar, neste como em outros domínios, que haja o máximo de entendimento possível", outra é "imiscuir-se na vida do Parlamento".

+ notícias: Política

Deputado do PS afirma que casos de alegada corrupção prejudicam a 'luta' pela regionalização

Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS, afirma que sempre que existem casos noticiados de alegada corrupção "os adversários da regionalização acabam por ganhar alguns argumentos, mesmo que sejam populistas".

Operações 'Teia' e 'Rota Final': Partidos pedem mais meios e condições para que a justiça funcione rápido

Em pouco mais de duas semanas, Portugal viveu dois escândalos de corrupção que envolvem autarquias do Norte e suspeitas de favorecimento a empresas privadas. O primeiro foi a Operação 'Teia' com nomes ligados ao PS. O segundo é a Operação 'Rota Final', com figuras do PSD. O Porto Canal foi ouvir o que pensam as concelhias partidárias sobre isto e todas admitem que são precisos mais meios e condições para que a justiça funcione rápido.

Tiago Barbosa Ribeiro espera que a regionalização esteja no programa eleitoral do PS

Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS, defende que sem regionalização não se resolvem os problemas da desigualdade territorial e como tal, espera "que a regionalização esteja" no programa eleitoral do PS.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

RELACIONADAS

DESCUBRA MAIS

N'Agenda

1ª Bienal de Fotografia do Porto:...