Quatro anos de uma legislatura. Sensação de retoma será real?

Quatro anos de uma legislatura. Sensação de retoma será real?
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Porto Canal (MPM e PYR)

A legislatura que acaba em 2015 está ligada a um dos períodos mais complicados em Portugal. A ajuda do FMI, as medidas da Troika, o aumento de impostos e a emigração, marcam as dificuldades do Governo de coligação, que no entanto chega a esta fase com a ideia de ter feito um bom trabalho.

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As eleições legislativas previstas para este outono assinalam o final de uma legislatura de contornos inéditos em Portugal. O Governo de coligação de PSD e PP, sobreviveu a uma das mais conturbadas fases da economia nacional.

Nos três primeiros anos da governação da coligação, o país foi alvo da intervenção da Troika, por forma a cumprir as exigências que teriam sido feitas aquando da assinatura do acordo com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, para o empréstimo de 78 mil milhões de euros, negociado ainda na legislatura de José Sócrates.

O primeiro ministro Pedro Passos Coelho, partirá para a campanha eleitoral com a sensação de dever cumprido, não sem antes o debater esta quarta-feira o estado da nação com os deputados.

O Governo apoia-se nos números, no argumento de que terá feito um papel de enorme sucesso na recuperação do país. Objectivamente, o Défice Orçamental baixou para menos de metade entre 2010 e 2014. Passou de 9.8% para 4.5%, sendo que não pode ser ignorada a contribuição das receitas extraordinárias conseguidas com inúmeras privatizações. REN, EDP, ANA e CTT são algumas das empresas que ao serem vendidas, renderam um total de 9.3 mil milhões de euros aos cofres do Estado. Outra das batalhas da coligação tem sido o combate ao desemprego. Em 2013, atingiu um máximo histórico de 17.5 pontos percentuais. A tendência inverteu-se desde então, estacionando nos 13.7% no primeiro trimestre de 2015.

No entanto, nem todos os números são 'amigos' de Pedro Passos Coelho. A oposição não deixará passar em claro o aumento da Dívida Pública, que atingiu este ano, 129.6% do Produto Interno Bruto nacional.

Esta foi também, uma legislatura marcada pela contestação pública. Assistimos a uma maré de emigrações de grande intensidade. O desemprego e o 'enorme aumento' de impostos anunciado por Vítor Gaspar para 2013, tornou para muitos, a saída do país na única solução.

Pedro Passos Coelho enfrentou não só a ira do povo, mas contrariedades internas, com a demissão de Vítor Gaspar e o clima de tensão com Paulo Portas, parceiro de coligação. O Tribunal Constitucional não facilitou a sua política de austeridade, chumbando várias das suas propostas.

Mas é com a sensação de retoma que chegam ao fim os quatro anos da legislatura de coligação, atribuindo uma força à campanha eleitoral do PSD, de que há um ano e meio parecia impossível usufruir.

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