Residentes e comerciantes criam associação para dinamizar Rua 31 de Janeiro no Porto

Residentes e comerciantes criam associação para dinamizar Rua 31 de Janeiro no Porto
Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
| Porto
Porto Canal/Agências

Um conjunto de residentes e comerciantes da Rua 31 de Janeiro, no Porto, criou uma associação para dinamizar esta artéria do centro da cidade e vê-la “colocada novamente no mapa”, disse à Lusa o seu presidente.

Há muito que fervilhava a ideia de dar a esta rua uma nova vida, mas o cansaço das pessoas - já “fartas” dos efeitos que as obras do Metro do Porto tiveram nas suas vidas e negócios – ditou que essa intenção demorasse a se materializar, explicou à Lusa Costa Pereira, presidente da Associação Rua 31 de Janeiro Porto com Vida e morador desta artéria.

“A dois comerciantes que são aqueles mais ‘mexidos’, eu disse: “bem, nós temos que fazer uma associação, porque com o movimento caso a caso nós não somos ouvidos, não temos uma figura jurídica que nos possa suportar e fazer-nos representar”, especificou o morador.

De momento, segundo Costa Pereira, “a maioria dos estabelecimentos já são sócios”, mas a direção da associação continua ainda a reunir com quem tem negócios nesta rua, com moradores, senhorios e gestores de Alojamentos Locais.

O objetivo é “reativar esta rua, colocá-la no mapa novamente”, partilhou, e, para isso, pretendem promover atividades ao ar livre, “como uma missa ou uma sessão de cinema”, desenvolver programação em dias festivos como o São João, colocar a artéria nos roteiros dos promotores turísticos da cidade, criar um cartão para incentivar a que se compre nas lojas daquela rua e “trazer arte para a rua”, para mostrar que “o Porto não é só restauração e hotelaria”.

“Voltar a colocar a rua no mapa é desfazer o mito que se criou à volta desta rua, que esta rua não existe. Ela desenvolveu-se muito nos últimos meses, muitas lojas abriram (…) está a ser uma rua, outra vez, apelativa”, garantiu, após recordar que muitos negócios faliram com o início das obras, em 2021, de construção da nova linha rosa do metro, cujo estaleiro entretanto ocupa uma área significativa do espaço público na zona de São Bento.

Para dinamizarem esta artéria esperam ainda conseguir reunir-se com os vários agentes da cidade, deste o município, à Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e à Metro, e querem ainda aprender com outras associações (nacionais ou internacionais) com objetivos semelhantes, promovendo intercâmbios.

O projeto “Porto na Praça”, anunciado há uns dias pela Câmara do Porto e que vai fazer com que aos domingos seja implementada uma zona pedonal temporária na Praça da Batalha, Rua 31 de Janeiro e Rua da Madeira, é visto com bons olhos pelo morador, que acredita poder ser positivo para aquele eixo e que a maioria dos associados vai aderir à iniciativa, abrindo portas no domingo.

“Os veículos o que é que fazem aqui? Só fazem passagem, não fazem mais nada, porque não têm onde estacionar. Só vêm atrapalhar”, concretiza, ressalvando que é preciso assegurar os direitos dos comerciantes, que podem precisar de fazer alguma descarga que não estava inicialmente prevista.

De acordo com os seus estatutos, a Associação Rua 31 de Janeiro Porto com Vida, constituída em março, tem como missão “defender, valorizar e dinamizar a própria rua (…) promovendo o seu desenvolvimento social, cultural, económico e patrimonial, contribuindo ativamente para a melhoria da qualidade de vida urbana na cidade, através da participação cívica da criação cultural e do envolvimento comunitário”.

Os cerca de 30 associados querem “falar a uma só voz” também dos problemas com que lidam, mas pretendem que a sua atividade não tenha apenas impacto nesta rua, mas no tecido urbano envolvente.

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