Heliporto do Hospital Pedro Hispano encerra por falta de condições de segurança
Pedro Benjamim
O Hospital Pedro Hispano encerrou o heliporto no dia 19 de fevereiro, depois de inspetores da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) ter apontado falta de condições de segurança para a operação.
De acordo com o Hospital Pedro Hispano, em resposta ao Porto Canal, “a decisão surgiu após uma visita realizada pelos técnicos da ANAC, que identificaram a existência de obstáculos nos canais de aproximação (aterragem/descolagem)”.
Um parecer do hospital, da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), a que o Porto Canal teve acesso, indica que os inspetores da ANAC, numa visita realizada a 11 de fevereiro, defendiam que “a localização do heliporto, atualmente não é a melhor, dada a sua envolvente”, e “não há possibilidade de se alterar o sentido/orientação dos canais de aproximação”.
Ainda assim, os inspetores vão esperar “pelo resultado final do levamento topográfico para se pronunciarem formalmente sobre a viabilidade da manutenção do heliporto do HPH”, lê-se no documento que os inspetores apontam vários problemas à utilização da infraestrutura, apesar da utilização residual do heliporto.
Além disso, defendem que “o ideal é que o heliporto atual, que é de superfície, passasse a heliporto elevado, com uma altura aproximada de 10 metros”.
Nessa visita estiveram, em representação da ULSM, o presidente do Conselho de Administração, Prof. António Taveira Gomes, a diretora do Serviço de Gestão de Risco, Ana Paula Teixeira e da parte do Serviço de Instalações e Equipamentos, o engenheiro António Faria.
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, defende que a falta de certificação “por si só pode não ter implicações direta para as vítimas, caso não ocorra nenhum incidente por causa deste aumento do risco de segurança”, mas que “o risco de utilizar este heliporto será maior do que outro que esteja certificado”.
Para Lázaro, o encerramento do heliporto do HPH pode também significar “um aumento do tempo da transferência ou do transporte de um doente urgente – no caso dos helicópteros a esmagadora maioria dos doentes são graves, em risco de vida – pode ser determinante no sucesso desta assistência de emergência médica”, acrescentando que “um minuto pode ser determinante para salvar uma vida”.
A ULSM refere também que foram também informadas as várias entidades envolvidas, nomeadamente o INEM, Serviço de Proteção Civil de Matosinhos, Bombeiros de Leixões, além da própria ANAC.
Em 2025, o heliporto do Hospital Pedro Hispano recebeu cerca de 90 voos, sendo que a maioria dos doentes helitransportados tem como destino os hospitais da área metropolitana do Porto, como a ULS São João e ULS Santo António.
