Norte emitiu em 2023 menos 20% de gases com efeito de estufa do que em 2005

Norte emitiu em 2023 menos 20% de gases com efeito de estufa do que em 2005
Foto: Miguel Nogueira | Porto.
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Porto Canal/Agências

As emissões de gases com efeito de estufa na Região Norte diminuíram, entre 2005 e 2023, 20%, sendo o setor dos Transportes o “maior desafio” à descarbonização e as pastagens e florestas "possíveis aliados", segundo um estudo revelado esta quarta-feira.

O estudo “Avaliação do Desempenho da Região Norte em Matéria de Emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE)”, revelado esta quarta-feira pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte, aponta que as emissões de CO2 na Região Norte resultam maioritariamente dos setores dos Transportes, da Energia e Indústria que representaram, em 2023, 73%.

Em declarações à Lusa, o responsável pelo estudo, o professor Francisco Ferreira, explicou que os resultados obtidos “revelam uma trajetória globalmente descendente das emissões na Região Norte”, salientando que para o futuro o setor dos Transportes, que representaram em 2023 45% das emissões de GEE, “é aquele que representa um maior desafio”.

“O setor dos Transpores tem registado aumentos sucessivos de emissões desde 2018, uma tendência que foi interrompida pela pandemia, e depois retomada. Esta tendência estará sobretudo associada ao modo rodoviário”, disse.

O estudo aponta como expectativa para 2030 uma redução de 45% das emissões, face a 2005: “É um valor abaixo da meta nacional, que prevê uma redução de 55% de emissões de GEE”, referiu Francisco Ferreira.

No setor dos Transportes, apontou, “a redução estimada para 2030 é de apenas 24%, longe da meta nacional de 40%”.

“É um setor que tem um longo percurso a percorrer, são necessárias medidas eficazes que contrariem a tendência recente de aumentos sucessivos de emissões de GEE porque, mesmo tendo em conta as medidas relacionadas com renovação de frotas, o aumento da eletrificação do setor, mais recurso a biocombustíveis e o aumento do uso do transporte coletivo, tudo isso não será suficiente para alcançar a meta de redução de emissões de GEE”, alertou.

Por outro lado, apontou, “o setor das pastagens e das florestas tem o potencial de, na Zona Norte, ser o maior sumidouro”.

“É um potencial a explorar e pode ser um grande aliado para atingir a neutralidade carbónica pretendida. Mas também não é líquido, há que ter em conta fatores como os incêndios e as próprias alterações climáticas”, referiu.

No setor da Energia e Indústria, a maior redução de emissões, até 2023, foi alcançada no subsetor da Indústria, atingindo com uma diminuição de 41%, “refletindo o impacte da desativação da Refinaria de Matosinhos”.

Para 2030, o estudo aponta uma redução de emissões de GEE muito significativa no subsetor da Produção de eletricidade e vapor (-92%), e no subsetor da Indústria estima-se uma redução de 63% das emissões de GEE.

O estudo aponta ainda que a Agricultura terra, em 2030 um peso de 16% nas emissões GEE na zona Norte.

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