Vice-presidente de Gaia garante "atitude cooperante" relativamente à linha de TGV
Porto Canal/Agências
O vice-presidente da Câmara de Gaia garantiu que o município terá uma "atitude cooperante" relativamente ao projeto da linha de alta velocidade no concelho, adiantando que o consórcio construtor quer apresentar projeto até 15 de abril.
"A linha de alta velocidade (LAV) é uma prioridade para o país e a Câmara Municipal de Gaia estará neste assunto numa atitude cooperante sem colocar em causa o interesse do município", pode ler-se num comunicado enviado por Firmino Pereira à agência Lusa.
Firmino Pereira afirma que se "reuniu recentemente com representantes do consórcio construtor da LAV", o AVAN Norte (Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto), assegurando que este "quer apresentar até 15 de abril o projeto de execução para que a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] se pronuncie até final de junho".
A Lusa questionou fonte oficial do consórcio AVAN Norte e aguarda resposta.
Em causa está a construção de uma estação em Santo Ovídio e de uma ponte rodoferroviária sobre o rio Douro após o chumbo da APA a uma proposta alternativa do consórcio que incluía uma estação em Vilar do Paraíso e duas pontes separadas no Douro em vez de uma, o que não cumpria o caderno de encargos.
No comunicado, Firmino Pereira relembra "que a estação aprovada no projeto inicial é Santo Ovídio", mas refere que "a Câmara de Gaia tem algumas questões a colocar" relativamente à "segurança numa estação subterrânea com muita profundidade", bem como a "duas dezenas de casas que vão ser demolidas, a programação da obra atendendo ao seu impacto e a ausência no projeto de um parque de autocarros fundamental para assegurar a intermodalidade".
Relativamente à segurança da estação subterrânea, o parecer da APA que chumbou o projeto alternativo aponta que alegadas "dificuldades na fase do licenciamento por parte de autoridades competentes, como a ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil] e as autarquias", colocariam "em causa a viabilidade técnica do Estudo Prévio".
Segundo a APA, "tal não será o caso, face ao afirmado pela IP [Infraestruturas de Portugal] na qualidade de entidade concedente e tendo em conta que nenhuma das autoridades competentes invocadas pelo proponente emitiu pronúncia desfavorável ou evidenciou qualquer dificuldade com a solução apresentada em Estudo Prévio", ou seja, a estação subterrânea.
Firmino Pereira assegura também que a autarquia conseguiu que "a construção da linha de alta velocidade seja feita em túnel em grande parte do território de Gaia, protegendo desta forma duas centenas de habitações e empresas", e considerou a ponte rodoviária proposta "inaceitável" porque "não serve os interesses estratégicos de mobilidade de Gaia" e porque "não estão assegurados os acessos da ponte à malha urbana", que quantifica em 40 milhões de euros.
Apontou ainda ao vereador do PS João Paulo Correia, considerando que "fala de tudo ao mesmo tempo sem profundidade e desconhecimento dos assuntos" e que "um assunto tão estratégico para gerações não está ao alcance da opinião superficial e de mera oportunidade do vereador" socialista.
Na segunda-feira, Correia tinha lembrado que a estação de alta velocidade "está decidida" e "não pode ficar refém de amuos", considerando que o presidente da câmara não pode deixar cair uma conquista histórica para o concelho, pois "colocará Gaia na rede europeia de alta velocidade" e "nenhuma cidade se pode dar ao luxo de rejeitar um investimento deste alcance", após Luís Filipe Menezes duvidar da passagem da linha de alta velocidade no concelho.
Gaia quer aproveitar a nova estação de alta velocidade para tornar a atual rotunda de Santo Ovídio numa praça e polo intermodal de confluência das linhas de alta velocidade e Amarela e Rubi do Metro do Porto, com zonas de tomada e largada de passageiros, criando ainda um terminal intermodal para autocarros junto a D. João II (também com ligação ao metro), com parques de estacionamento para cerca de 1.000 carros e 600 bicicletas.
