GUIdance inicia 15.ª edição em momento de “sincronização da diversidade”
Porto Canal/ Agências
O 15.º GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Guimarães arranca esta quinta-feira sob o mote da “sincronização da diversidade” e até dia 14 vai juntar criadores nacionais e internacionais para espetáculos, ‘masterclasses’, conversas e outras iniciativas pela cidade.
“Fomos atrás de um conceito que se chama a ‘sincronização da diversidade’ que tem a ver com esta ideia de que há vários fenómenos em simultâneo a ocorrer no mundo e que eles são de tal forma avassaladores que a sua articulação é de difícil assimilação. Entendemos que o corpo está abalroado por uma série de fenómenos e aquilo que exploramos na dança é essa diversidade em palco e a forma como de algum modo este caos se pode reorganizar”, explicou à Lusa o diretor artístico do festival, Rui Torrinha.
O programador acrescentou que o conceito passa por “esta ideia de que a humanidade vive em simultâneo interligada e que a dança é um dos gestos primordiais”.
“Esta ideia de trazer a palco a diversidade passa também por ser intergeracional, de diversas geografias, de diversas estéticas e a forma como tudo isso nos situa e nos constitui socialmente. Depois, temos aqui camadas que refletem a longa relação que temos com artistas, que regressam e que têm sido investidores do crédito do festival. E, depois, sempre aquilo que também nos move que é descobrir novas vozes, abrir espaço para quem está a criar e a aparecer”, afirmou Torrinha, que realçou que o festival é “muito mais do que os espetáculos”.
Assim, antes do espetáculo que abre a programação do festival, o GUIdance arranca com uma iniciativa que leva alguns dos coreógrafos participantes às escolas do concelho, seguindo-se o “Bailar Fora de Casa” para convidar quem quiser juntar-se à roda de dança da Associação Os 20 Arautos.
Na noite desta quinta-feira, Olga Roriz apresenta no Centro Cultural Vila Flor (CCVF) “O Salvado”, enquanto na sexta-feira Janet Novás & Mercedes Peón sobem ao palco do Teatro Jordão para “Mercedes máis eu”.
No sábado, o GUIdance recebe a estreia absoluta de “Tender Riot”, de Ana Rita Xavier, Daniel Conant, Madison Pomarico, Andy Pomarico, Jonas Friedlich, Maurícia Barreira Neves e Belisa Branças, que junta “sete artistas das áreas da dança, música, artes visuais e performance para a sua primeira colaboração”.
No mesmo dia, o festival acolhe a estreia nacional de um programa duplo da Companhia Marie Chouinard, que junta uma revisitação da peça “bODY_rEMIX/gOLDBERG _vARIATIONS”, de 2005, e a nova “MAGNIFICAT”, ambas com música de Johann Sebastian Bach.
Até dia 14, vão estar em Guimarães coreógrafos como Tânia Carvalho, que fará duas estreias absolutas de dois solos para Marta Cerqueira e Bruno Senune, Ermira Goro (com o espetáculo “Sirens” em estreia nacional), Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, que farão a estreia absoluta de “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil”, antes de o festival fechar com a companhia de Akram Khan e “Chotto Desh”, também em estreia nacional.
Pelo meio vai haver debates, visitas a escolas, conversas com alguns dos protagonistas do festival, as iniciativas "Bailar Fora de Casa", na Associação Os 20 Arautos, e "Bailar em Casa", na Casa da Memória, com um alerta de que "não é preciso saber dançar" para participar.
