PSD de Matosinhos culpa câmara municipal pela eventual perda de zona balnear
Porto Canal/Agências
Os vereadores do PSD/Matosinhos culparam a Câmara Municipal por a principal praia do concelho poder perder a classificação de zona balnear em 2026 devido à poluição, destacando ser o único concelho do país sob essa ameaça.
Citado em comunicado, o vereador social-democrata Bruno Pereira lamentou ser, atualmente, Matosinhos “o único concelho a perder a classificação de zona balnear”, atribuindo-o a “anos de complacência da câmara municipal”, a qual “aceitou e apoiou o projeto socialista da construção do quebra-mar, bem como da inércia de não combater as ligações ilegais nas ribeiras da Riguinha, de Carcavelos e no rio Leça”.
Considera, por isso, o autarca que “o executivo socialista não demonstrou preocupação com o futuro do concelho, com as consequências gravosas quer no ambiente, na preservação das praias e nos desportos náuticos, quer na restauração e comercio local, turismo, indústria da pesca e habitação”.
Na sexta-feira, em resposta a Lusa, a Câmara de Matosinhos garantiu que tem vindo a “trabalhar de forma contínua” pela qualidade da água da Praia de Matosinhos, tendo um programa para identificar as causas de poluição e implementar ações corretivas.
A resposta ocorreu após a proposta de lista da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de águas balneares costeiras a identificar em 2026, que diz que, este ano, a classificação da Praia de Matosinhos está pendente de a câmara definir “um programa de medidas que incida sobre as causas de poluição” desta praia, classificada como “má” na época balnear de 2025.
“A Câmara Municipal de Matosinhos tem vindo a trabalhar de forma contínua e articulada com as entidades competentes, tendo em execução um Programa de Medidas para a Melhoria da Qualidade da Água Balnear da Praia de Matosinhos que incide na identificação das causas de poluição e na implementação de ações corretivas, programa esse que se encontra atualmente em revisão e acompanhamento permanente”, esclareceu o município à Lusa.
Na resposta, a autarquia garantiu ainda promover “ações de monitorização regular da qualidade da água, intervenções ao nível das ribeiras que desaguam na praia, deteção e correção de ligações indevidas, bem como estudos científicos que permitem uma melhor compreensão dos fatores que influenciam a qualidade da água”.
Desde 2 de janeiro e até 2 de fevereiro está em curso uma consulta pública na plataforma participa.pt da proposta de lista de águas balneares, costeiras, de transição e interiores a identificar em 2026.
Para Bruno Pereira “é impressionante que no concelho de Matosinhos ainda se verifiquem linhas de água a desaguar nas praias, que são verdadeiros esgotos a céu aberto e dos quais ainda não se corrigiram as ligações indevidas de esgotos”.
“As dúvidas que tínhamos adensaram-se e confirmaram-se, agora que com o decorrer do tempo se verifica o impacto real do prolongamento do quebra-mar na praia de Matosinhos e na qualidade da água”, continua o vereador.
No comunicado, os vereadores social-democratas avançam com a “renaturalização das margens e a reabilitação das ribeiras” que consideram “fundamental para recuperar os habitats naturais e estabilizar leitos, o que permite a redução da poluição e a preservação dos ecossistemas ribeirinhos”.
A instalação e criação de infraestruturas de contenção e de Estações de Tratamento de Águas Residuais compactas na zona do Parque de Real e reforçar a fiscalização e combate às descargas ilegais de esgotos às ribeiras e rios, que são a principal fonte de contaminação das águas balneares e a monitorização e a criação de um sistema de comunicação da qualidade da água, em tempo real, são outras das medidas propostas.
