Mau tempo. Capitania do Douro admite subida no estuário do rio com descargas nas barragens
Porto Canal/Agências
O comandante adjunto da Capitania do Douro, Pedro Cervaens, admitiu hoje o aumento das descargas nas barragens do rio, que podem colocar em risco a navegação e as zonas ribeirinhas no estuário.
“Aqui no rio Douro, nós vamos monitorizando a situação com a EDP, mas, de qualquer forma, pode haver uma necessidade de largar água que depois possa pôr em risco quer a própria navegação no rio Douro, mas também nas zonas ribeirinhas (…), que têm cotas mais baixas, e que possa ter impacto nas pessoas e em bens”, disse à Lusa.
Segundo o responsável, têm “observado desde sexta-feira, [data] em que começou a chover mais, que o concessionário viu-se obrigado a fazer uma maior gestão da água, pontualmente efetuando mais descargas com maior caudal do que o normal”, situação que resultou num “início de cheia, que alagou parte do cais na Régua, na madrugada de sábado”.
Desde então, devido às “previsões meteorológicas relativamente à precipitação e ao aumento da temperatura, que vai implicar o degelo da neve que caiu nos últimos dias, os cursos de água vão ficar com muito mais água, até porque os solos encontram-se bastante saturados”, continuou Pedro Cervaens.
“Foi por esse motivo que emitimos o aviso amarelo de possibilidade de cheias, de modo a que os serviços municipais de proteção civil, nas zonas ribeirinhas do rio Douro, possam ativar as medidas de prevenção e também, naturalmente, alertar as pessoas que vivem nestes sítios ou que têm negócios nestes sítios, para que possam adotar medidas de prevenção”, lembrou o responsável.
Questionado se hoje, pelas 20:00, na maré-cheia, haverá perigo para as zonas ribeirinhas do Porto/Vila Nova de Gaia, Pedro Cervaens aconselhou os “serviços municipais de proteção civil a manter uma monitorização durante a enchente”.
“Em princípio, a EDP, que também está sensibilizada para isso, tentará evitar que a largada de água nas barragens seja neste período, mas pode acontecer, pode haver necessidade de o fazer”, explicou, acrescentando, em caso de necessidade, que poderá observar-se “o potencial de dois fenómenos: a largada de água da barragem e da entrada de água no rio [na foz do Douro], que também impede que a água saia, o que pode aumentar, mais rapidamente, a cota do rio”.
Pedro Cervaens adicionou a esta equação os afluentes do Douro, explicando ser ”importante compreender que não basta apenas ir monitorizando o rio, mas toda a bacia hidrográfica”.
“Todos os afluentes vão contribuir para esta questão das cheias. E, por esse motivo, ir monitorizando as cotas no rio Douro, é importante, mas pode-se também antecipar um pouco, percebendo que o Tâmega, o Tua, alguns afluentes já estão sobrecarregados e que aquela água vai ter de chegar ao rio Douro”, concluiu.
Depois da depressão Ingrid, nos últimos dias, Portugal continental começou hoje a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os efeitos da depressão Joseph irão estender-se, de forma gradual, às restantes regiões de Portugal continental na noite de segunda para terça-feira, “e com a passagem de sucessivas ondulações frontais pelo menos até ao fim de semana”, segundo o IPMA.
