Vórtex. Defesa de Miguel Reis diz que processo foi construído com base na confissão de Pessegueiro

Vórtex. Defesa de Miguel Reis diz que processo foi construído com base na confissão de Pessegueiro
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| Norte
Porto Canal/Agências

A defesa de Miguel Reis, arguido no processo Vórtex, pediu a absolvição do ex-presidente da Câmara de Espinho dos crimes de que está acusado, afirmando que o caso foi construído com base na confissão do empresário Francisco Pessegueiro.

“Conforme foi dito em alegações, e esperemos que o tribunal assim considere, a partir do momento em que ele [Francisco Pessegueiro] confessou, deixou-se de procurar mais prova suplementar e fazer diligências suplementares”, disse aos jornalistas o advogado André Domingues, à saída do Tribunal de Espinho, no distrito de Aveiro, onde decorrem as alegações do processo Vórtex.

Considerando que a acusação é baseada em pressupostos e interpretações que não são reais, o defensor de Miguel Reis deixou críticas à atuação do Ministério Público (MP), sobre a necessidade de acusar políticos, e à delação premiada, considerando que esta medida é um “fortíssimo incentivo à incriminação de terceiros, mesmo à custa da verdade”.

“Não é normal que um arguido seja detido em prisão preventiva e que após prestar declarações, confessar parcialmente - e agora aqui altera a versão -, e a seguir vem para casa. Não é normal que determinados elementos que deviam ser constituídos arguidos naquela versão não sejam (…). Quer dizer, há aqui algumas coisas que não estão bem e que compete ao Tribunal apreciar e escrutinar”, afirmou.

Durante as alegações, o advogado insistiu na tese de que este processo foi construído com base numa mentira, apelidando o empresário Francisco Pessegueiro de um “confesso mentiroso”, porque “assumiu coisas que sabia que não tinha feito para sair da cadeia”, como o próprio admitiu em julgamento.

“Foi-lhe prometido que se falasse, se confessasse, lhe aligeiravam as medidas de coação”, disse o advogado, defendendo que o tribunal não pode dar credibilidade a este “depoimento mentiroso”.

O advogado referiu-se ainda à existência de um acordo implícito entre o MP e Pessegueiro, que teve em vista poupar o pai, a mãe e a irmã. “Não é plausível que estas pessoas não tenham sido acusadas”, disse.

Miguel Reis é suspeito de ter pedido 50 mil euros a Francisco Pessegueiro, que só não terá recebido por mero acaso, para permitir decisões céleres e favoráveis nos processos urbanísticos da construtora Pessegueiro. A acusação sustenta ainda que o ex-autarca recebeu cinco mil euros e mobiliário para a sua casa, em troca de atos funcionais.

O ex-autarca, para quem o MP pediu uma pena entre os cinco e nove anos de prisão, está acusado de quatro crimes de corrupção passiva e cinco de prevaricação.

Ainda na parte da manhã, tiveram lugar as alegações da defesa de Álvaro Duarte, ex-chefe de Divisão de Obras Municipais da Câmara de Espinho, que pediu a absolvição do seu cliente e da sua empresa.

“Álvaro Duarte não cometeu qualquer dos crimes de que vem acusado”, afirmou o advogado Guilherme Figueiredo, adiantando que o arguido “não solicitou nem recebeu qualquer vantagem patrimonial ou não patrimonial”.

Além disso, referiu que a acusação não indica quais as normas funcionais que foram violadas, uma omissão que, na sua opinião, “constitui uma nulidade absoluta não sanável”.

O processo Vórtex, que começou a ser julgado no Tribunal de Espinho em 5 de setembro de 2024, está relacionado com atos de corrupção em projetos imobiliários e licenciamentos urbanísticos na Câmara de Espinho, envolvendo dois ex-autarcas.

A operação culminou em 10 de janeiro de 2023 com a detenção do então presidente da Câmara, Miguel Reis, o chefe da Divisão de Urbanismo e Ambiente daquela autarquia, um arquiteto e dois empresários por suspeitas de corrupção ativa e passiva, prevaricação, abuso de poderes e tráfico de influências.

Em 10 de julho do mesmo ano, o MP viria a deduzir acusação contra oito arguidos e cinco empresas, incluindo o então deputado do PSD Pinto Moreira, que foi o antecessor de Miguel Reis na autarquia.

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