Operação Babel. Defesa de Elad Dror refere que não há nada que prove que cometeu crimes
Porto Canal/Agências
O advogado do fundador do grupo Fortera, Elad Dror, acusado de corrupção no processo da Operação Babel, disse esta terça-feira que este “só pode mesmo ser absolvido” porque não há nada que prove que cometeu qualquer ilícito.
“Não há um único sinal de que Elad Dror tenha cometido qualquer tipo de ilícito”, afirmou João Peres durante as alegações finais no Tribunal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.
Elad Dror é um dos 16 arguidos da Operação Babel, relacionada com a alegada viciação e violação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos em Gaia.
O empresário está acusado de dezenas de crimes económicos, como corrupção e tráfico de influências, tal como o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia Patrocínio Azevedo, o empresário imobiliário Paulo Malafaia e o advogado João Pedro Lopes.
O MP sustenta que Elad Dror e Paulo Malafaia “combinaram entre si desenvolverem projetos imobiliários na cidade de Vila Nova de Gaia, designadamente os denominados Skyline/Centro Cultural e de Congressos, Riverside e Hotel Azul”, contando com o alegado favorecimento por parte do antigo vice de Gaia, que receberia em troca dinheiro e bens materiais, como relógios.
O advogado ressalvou que o empresário nunca subornou o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia para que os projetos imobiliários do grupo Fortera fossem favorecidos.
“Dizer que este homem é criminoso é uma coisa que a mim me choca”, salientou João Peres.
O advogado insistiu que Elad Dror é uma vítima deste processo, motivo pelo qual o país lhe deve um pedido de desculpas.
“Veio para aqui, investiu e hoje, se as coisas fossem normais, ali em baixo [abaixo do tribunal] estava um centro de congressos e o Patrocínio Azevedo era presidente da Câmara de Gaia”, sustentou.
Nas suas alegações finais, o procurador do MP pediu uma pena de 10 anos ou menos para o fundador do grupo Fortera.
A Câmara de Gaia, atualmente liderada pelo social-democrata Luís Filipe Menezes, que regressou à câmara e acabou com 12 anos de liderança socialista, desistiu de ser assistente do processo e do pedido da indemnização de 50 mil euros.
