Nova Lei das Finanças Locais “é uma necessidade imperiosa do país”, defende Luísa Salgueiro

Nova Lei das Finanças Locais “é uma necessidade imperiosa do país”, defende Luísa Salgueiro
| País
Porto Canal/Agências

A presidente do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) defendeu este sábado que a nova Lei das Finanças Locais “é uma necessidade imperiosa do país”, que deverá ter efeitos no Orçamento do Estado de 2027.

“Este não é um pedido, é uma necessidade imperiosa do país. O Estado só estará mais perto das pessoas se os municípios tiverem os meios para o representar plenamente”, sublinhou Luísa Salgueiro.

Na sessão de abertura do XXVII Congresso da ANMP, que decorre este fim de semana em Viana do Castelo, a ainda líder da ANMP considerou que a questão do financiamento local não é uma reivindicação corporativa, mas antes uma condição para o desenvolvimento do país.

“A atual Lei das Finanças Locais deixou de responder ao contexto em que vivemos. Os municípios assumiram novas competências, novos investimentos e novas responsabilidades — muitas vezes com recursos desajustados”, sustentou.

A também presidente da Câmara Municipal de Matosinhos reafirmou a urgência da aprovação de uma nova Lei das Finanças Locais que “tenha efeitos no Orçamento do Estado de 2027”, “já que não terá em 2026”, como o Governo chegou a prever.

“Defendemos que a nova Lei das Finanças Locais permita convergir com a média da Zona Euro em matéria de recursos; corrija assimetrias territoriais; reforce o FEF [Fundo de Equilíbrio Financeiro] e o FFD [Fundo de Financiamento da Descentralização]", indicou.

Os municípios pretendem também que aumente a participação no Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) e no Imposto sobre o valor acrescentado (IVA); que afete as receitas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), Imposto Único de Circulação (IUC), Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e Fundo Ambiental aos municípios; e que garanta estabilidade, transparência e simplificação dos processos.

Luísa Salgueiro lembrou ainda que, ao longo do seu mandato (2021-2025), foram várias as iniciativas da ANMP em prol de uma nova Lei das Finanças Locais.

"Apresentámos uma proposta devidamente fundamentada ao Governo e sugerimos a criação de um Grupo de Trabalho que chegou a estar anunciado, mas o certo é que nem o Grupo de Trabalho nem a nova Lei das Finanças Locais ainda viram a luz do dia”, referiu.

Ao longo do seu discurso, a autarca debruçou-se sobre aquilo que considera ser o complexo, mas imprescindível, caminho de descentralização, deixando o alerta de que este processo só será bem-sucedido se for acompanhado de meios humanos, financeiros e patrimoniais adequados.

Na área da educação, reclamou a aceleração da requalificação de 526 escolas prioritárias e a inclusão das escolas de prioridade 3, bem como as escolas aditadas.

Já na saúde, apontou como essenciais o mapeamento das instalações, a reabilitação dos centros de saúde e a definição de rácios de trabalhadores e de veículos.

Na área ação social, destacou os avanços na uniformização de critérios e no reforço de técnicos municipais.

+ notícias: País

Rui Moreira vai ser o próximo embaixador de Portugal na OCDE

O ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, vai ser o próximo embaixador de Portugal na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), adiantou à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

PM vai apresentar “na próxima semana” PTRR a Seguro e conta com “todos os partidos”

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que deverá apresentar “na próxima semana” as linhas gerais do PTRR ao Presidente da República eleito, António José Seguro, e disse esperar contar com “todos os partidos” para o seu desenho e aprovação.

IL, Livre e PCP apontam insuficiências ao plano apresentado pelo Governo

IL, Livre e PCP apontaram insuficiências às linhas gerais do programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR) apresentado esta sexta-feira pelo Governo para responder ao temporal, nomeadamente a repetição de planos já anunciados.