Vereadora dissidente e voto de qualidade aprovam obra de 2,6 milhões em Braga
Porto Canal/Agências
A Câmara de Braga aprovou esta segunda-feira, graças ao voto de qualidade do presidente e à mudança de ideias da agora vereadora independente Catarina Miranda, a empreitada de requalificação do largo do Pópulo, orçada em 2,6 milhões de euros.
A proposta foi aprovada com quatro votos a favor, da coligação PSD/CDS-PP/PPM e de Catarina Miranda, que foi eleita pela coligação PS/PAN mas que entretanto se aliou à equipa liderada por João Rodrigues, passando a assumir o estatuto de independente.
Os três eleitos do movimento independente Amar e Servir Braga (ASB) e o vereador da Iniciativa Liberal votaram contra, enquanto os dois do PS e o do Chega se abstiveram.
Na primeira reunião do atual executivo, a proposta tinha sido chumbada, uma vez que, na altura, Catarina Miranda ainda fazia parte da oposição e optou pela abstenção.
O presidente da Câmara, João Rodrigues, acusou os vereadores que votaram contra de quererem “deitar fora” 2,6 milhões de euros de financiamento europeu.
“O que está aqui em causa é requalificar o espaço público”, referiu, apontando que não se pode passar uma campanha eleitoral inteira a dizer que a cidade está cheia de buracos e que não há condições para quem não tem acessibilidade e depois votar contra uma empreitada que tem precisamente como objetivo combater aquelas lacunas.
O movimento Amar e Servir Braga, pela voz do vereador Ricardo Silva, justificou o voto contra por considerar que não é aceitável dividir em dois o Campo da Vinha, criando “o Campo da Vinha de cima e o Campo da Vinha de baixo”.
Admitiu que se o presidente da Câmara dissesse o que pretende para as duas partes do Campo da Vinha até poderia contar com o voto do ASB.
“Se o presidente da Câmara quer contar connosco, tem de reunir connosco”, referiu.
O vereador da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, também votou contra, classificando o processo de “muito pouco sólido, com um conjunto de momentos em que as decisões tomadas parecem não ser as mais adequadas”.
Rocha defendeu que o Campo da Vinha “precisa de uma visão global” e aconselhou a equipa de João Rodrigues a “atualizar a forma de se relacionar com os restantes vereadores”.
Acrescentou que, muitas vezes, a existência de financiamentos leva a decisões “apressadas e acaba por se deitar dinheiro fora”.
“Nunca votaremos para deitar dinheiro fora”, garantiu.
O vereador do PS Pedro Sousa deu conta de “profundas dúvidas” sobre a forma e o mecanismo administrativo e técnico-jurídico por que optou no processo do Pópulo e deixou um alerta de que, no futuro, “pode haver correções do Tribunal de Contas e a necessidade de devolução de financiamento”.
