Museu Nacional de Soares dos Reis revela humor na coleção de arte de Fernando de Castro
Porto Canal/Agências
A sátira e o riso presentes no acervo do colecionador de arte Fernando de Castro são os protagonistas de uma exposição que o Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), no Porto, acolhe a partir do dia 27.
Fernando de Castro (1889-1946) foi um negociante, poeta, caricaturista e sobretudo colecionador de arte, cuja casa herdada do pai, no Porto, foi transformada num espaço museológico – Casa-Museu Fernando de Castro -, que está sob tutela do MNSR desde 1952.
A casa tem um “ambiente cenográfico único”, profusamente decorado com talhas douradas, pintura naturalista, esculturas religiosas e milhares de objetos que, segundo o MNSR, a transformam “numa verdadeira obra de arte total”.
Porém, a vertente humorística dos cerca de três mil objetos do acervo “permanece pouco explorada”, sendo agora dada a conhecer em mais detalhe no Museu Nacional de Soares dos Reis, na exposição “Do riso e do siso: Coleções à margem da Casa-Museu Fernando de Castro”.
Segundo o MNSR, a exposição reúne peças de cerâmica, nomeadamente de Rafael Bordalo Pinheiro, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro e Vasco Lopes de Mendonça, arte oriental de pendor humorístico, livros dedicados à comédia e caricaturas desenhadas por Fernando de Castro.
As peças revelam “um colecionador atento, mundano, espirituoso e profundamente observador” e contrariam a ideia de “um homem austero e exclusivamente devoto ao ambiente sacral que criou na sua casa”, explica o museu nacional em nota de imprensa.
A exposição ficará patente no Museu Nacional de Soares dos Reis, com entrada gratuita, até 26 de abril.
A Casa-Museu Fernando de Castro, cujas divisões foram mantidas exatamente com deixadas pelo colecionador – e tem expostas algumas caricaturas com figuras de época -, também é visitável, mas sujeita a marcação.
Em 2020, num artigo publicado em "Museus e Estudos Interdisciplinares", a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva questionava “um amor tão convulsivo [do colecionador] pela talha dourada” e descrevia a casa-museu como “um dos mais fascinantes e secretos museus portugueses”.
