Vila Conde com investimento de dois milhões de euros na reabitação de igrejas
Porto Canal/Agências
A Câmara de Vila do Conde, do distrito do Porto, anunciou esta quinta-feira que estão em curso obras de cerca de dois milhões de euros, na reabilitação das igrejas de Santa Clara, Azurara e Matriz de Vila do Conde.
Num encontro com os jornalistas, no Centro Interpretativo do Mosteiro de Santa Clara, o presidente da autarquia vila-condense, Vítor Costa, afirmou que o município tem assumido intervenções estruturais em monumentos nacionais, recorrendo aos fundos do PRR e ao PT2030, por considerar essencial proteger património identitário do concelho.
“A nossa vontade, neste mandato, é continuarmos a operacionalizar estas intervenções, porque sentimos que temos a grande responsabilidade de reabilitarmos aquilo que é de todos nós, e em especial dos vila-condenses, assumindo até o papel da Administração Central”, declarou Vítor Costa.
O autarca recordou que os três monumentos em causa são classificados como nacionais e que, apesar de a responsabilidade de conservação não recair formalmente sobre o município, a autarquia tem assumido esse papel para evitar o agravamento da degradação.
“Estes monumentos são identitários para Vila do Conde e, mesmo não sendo uma competência direta da autarquia, entendemos que não podemos esperar, porque preservar o nosso património é preservar a nossa memória coletiva”, afirmou o presidente da câmara.
O vereador da Cultura, Paulo Vasques, apresentou o ponto de situação das três obras, referindo intervenções no edificado, restauros artísticos e desenvolvimento de conteúdos museológicos, explicando que as intervenções permitem recuperar elementos há muito degradados e reforçar a interpretação histórica dos espaços.
“Os trabalhos dividem-se entre a componente material e a componente móvel, com intervenções na cobertura, paredes, coro alto e baixo, e no restauro de retábulos e brasões, num processo acompanhado de perto pelos nossos técnicos e pelo Património Cultural”, afirmou Paulo Vasques.
As obras decorrem com prazos distintos, com a conclusão das intervenções na Igreja de Santa Clara para abril de 2026, a Matriz de Vila do Conde com um prazo de 270 dias já em curso e a Matriz de Azurara uma duração prevista de 12 meses, segundo confirmou a autarquia.
A Igreja de Santa Clara recebe a intervenção mais profunda, orçada em 1,3 milhões de euros, incluindo desmontagens, limpeza estrutural e recuperação de património integrado, enquanto a Universidade do Porto desenvolve conteúdos para um futuro circuito museológico que deverá enquadrar o valor histórico e simbólico do conjunto.
Na Igreja Matriz de Vila do Conde, uma intervenção de 200 mil euros, decorrem restauros de retábulos, esculturas, pinturas e mobiliário litúrgico, situação que o município recordou estar associada a degradação severa acumulada ao longo de décadas e evidenciada pelo colapso de um retábulo há cerca de oito anos.
A Igreja de Azurara, onde os trabalhos vão custar 450 mil euros, está integrada na rota "Azulejos, Talha e Frescos a Norte", com trabalhos de recuperação de elementos decorativos, retábulos e património móvel, num projeto que inclui igualmente comunicação e programação museológica para reforçar a fruição turística.
As intervenções têm revelado pinturas murais, camadas decorativas anteriores e elementos arqueológicos que estavam ocultos, achados que estão a ser analisados pelo gabinete municipal de Arqueologia em articulação com técnicos do Património Cultural.
As obras decorrem em paralelo com a preparação da candidatura do centro histórico de Vila do Conde a Património Mundial da UNESCO, processo que exige trabalho integrado entre património material e imaterial, incluindo construção naval em madeira, rendas de bilros e tapetes de flores.
