Médica suspeita de prescrever medicação a falsos diabéticos sujeita a caução de 500 mil euros

Médica suspeita de prescrever medicação a falsos diabéticos sujeita a caução de 500 mil euros
| Porto
Porto Canal/Agências

A endocrinologista detida na quarta-feira, no Porto, por alegado envolvimento num esquema fraudulento de prescrição de medicação para diabetes a utentes que queriam perder peso, tem de prestar uma caução de 500 mil euros, adiantou à Lusa fonte judicial.

A suspeita, que foi esta quinta-feira presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, terá de prestar a caução em 30 dias através de depósito bancário, segundo outra fonte.

Além da caução, a médica ficou ainda proibida de se ausentar do país sem autorização, contactar com testemunhas, com utentes não diabéticos a quem tenha prescrito o medicamento e com os restantes arguidos, frequentar a clínica onde dava consultas e de exercer a profissão, referiu.

Foram ainda constituídos arguidas mais três pessoas, nomeadamente outra médica, um advogado e uma empresa, referiu.

A médica andava a ser investigada desde 2020, revelou um coordenador de investigação criminal da PJ/Porto na quarta-feira, em conferência de imprensa.

“Esta investigação representa o esforço de mais de quatro anos de recolha e correlação de provas”, disse Rui Zilhão.

A investigação, que mostra que a médica já fazia prescrições deste tipo de medicamentos desde 2014, começou depois de uma denúncia, contou.

A médica terá lesado o Estado em mais de três milhões de euros, por via do pagamento de taxas de comparticipação, obtidas de forma fraudulenta, vincou.

Em causa estão crimes de burla qualificada e de falsidade informática, sublinhou.

Segundo Rui Zilhão, a investigação já recolheu prova suficiente para indiciar que um grupo de pessoas, assim como uma empresa, gizou um estratagema para prescrever medicações, especialmente destinadas ao tratamento da doença de diabetes mellitus tipo 2, a pessoas que queriam perder peso.

Serão entre 1000 a 2000 os utentes a quem aquela médica prescrevia esta medicação, revelou.

Sendo que, acrescentou, um dos passos seguintes passa por apurar se aquelas pessoas padecem ou não de diabetes.

Rui Zilhão explicou que, pelo que conseguiram apurar, os utentes iam passando a palavra de que determinada clínica tinha excelentes resultados ao nível do emagrecimento.

“Depois, o mecanismo como era prescrita a medicação ainda está em apreciação”, reforçou.

O coordenador de investigação criminal frisou que as buscas, que envolveram 40 inspetores da PJ e Autoridade Tributária, visaram as casas dos arguidos, um escritório de advogados e uma clínica de saúde no Porto e a sede de duas empresas em Albufeira, no distrito de Faro, e no Funchal, na Madeira.

Foram ainda feitas buscas em gabinetes de contabilidade em Santa Maria da Feira e Lousada, concelhos do distrito do Porto, concluiu.

+ notícias: Porto

Câmara do Porto vota incorporar 98 milhões de euros no orçamento de 2026

O executivo da Câmara do Porto vai votar incorporar um saldo de gerência de 98 milhões de euros no orçamento municipal para 2026, que passará de 491,3 para 589,3 milhões de euros.

Câmara do Porto vota ceder espaço a associação Casa da Horta

A Câmara do Porto vai votar a cedência de um espaço à associação Casa da Horta, que ficou sem sede após a venda do prédio a uma sociedade imobiliária que não renovou o contrato de arrendamento.

Câmara do Porto vota mudar estatutos da STCP Serviços para torná-la exclusiva da cidade

A Câmara do Porto vai votar, na reunião privada de executivo de terça-feira, a alteração dos estatutos da STCP Serviços para a tornar exclusiva da cidade, na sequência da intenção de a transformar numa empresa municipal de mobilidade.