Câmara de Gaia reunirá com TMP sobre Unir e continuará a remover ciclovia
Porto Canal/Agências
A Câmara de Gaia irá reunir-se com a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) sobre a rede Unir, querendo consensualizar uma solução até final do ano, e continuará a remover a ciclovia da Avenida da República, disse o presidente.
Durante a reunião de câmara, o executivo aprovou por unanimidade uma proposta de reunião de trabalho com a TMP "para abordar a problemática dos serviços facultados pela rede Unir em Vila Nova de Gaia".
No debate, o presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes (coligação PSD/CDS-PP/IL), disse que "este sistema tal qual existe não funciona", mas salientou ser preciso "tomar as precauções necessárias para não colocar as populações numa situação de vazio" quanto ao transporte público rodoviário coletivo.
Assim, estabeleceu como objetivo saber "até ao final deste ano qual o caminho" e a decisão tomada pelos órgãos municipais, incluindo a Assembleia Municipal, quanto à presença da Unir no concelho, cuja concessão pertence à Transportes Beira Douro, propriedade da Auto Viação Feirense.
A reunião com a TMP deverá ocorrer "provavelmente esta semana", disse aos jornalistas.
Já relativamente à ciclovia da Avenida da República, que foi parcialmente removida no sábado, Luís Filipe Menezes disse que só não foi removida na totalidade porque não é possível, por razões técnicas, fazê-lo em dias de chuva.
Questionado sobre se não ficará preocupado com o estacionamento abusivo que possa surgir no lugar da ciclovia, que segundo constatou a Lusa no local já se verificou esta segunda-feira, o autarca disse que passou no local de manhã e não viu, admitindo porém que "pode acontecer um ou outro".
"Fui eu que construí esta avenida com este perfil e não parava nenhum carro. Até diziam que era um chato do caraças. Bom, porque as pessoas queriam ir às finanças, queriam parar, queriam ir à fruta, não, não paravam", disse, garantindo que "as ordens foram para a Polícia Municipal ser moderada”, por ainda se estar “nos nos primeiros dias".
Luís Filipe Menezes garantiu, porém, que a Polícia Municipal "vai estar" presente e que "não se para na Avenida da República, como não se para na Rua do Ouro, na Rua da Prata, em Lisboa, como não se pode parar na Avenida dos Aliados, no Porto".
O autarca disse ainda que a avenida "vai ficar com duas faixas de rodagem", uma "para BUS em determinadas horas do dia, das 08h00 às 10h00 provavelmente da manhã e depois no horário de fim da tarde".
Apesar da remoção levada a cabo por ordem sua, disse ser "um defensor" das ciclovias, considerando porém "completamente impossível, patético, bizarro, errado, pensar que é possível ter no centro urbano de cidades como esta ciclovias".
No sábado, uma dirigente da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) lamentou a decisão de Luís Filipe Menezes, argumentando que “não houve debate” sobre esta questão e levantou “questões sobre a legalidade” de decisão.
A criação daquela ciclovia, segregada entre o Jardim do Morro e João de Deus e partilhada com a faixa BUS até D. João II, foi anunciada em maio de 2024 pelo anterior presidente Eduardo Vítor Rodrigues como uma “medida de segurança”, uma vez que a circulação de bicicletas e trotinetes já existia, mas sem delimitação protegida, e como forma de controlar o estacionamento abusivo naquela artéria.
“Além do facto de o deixar de ser uma via segregada pôr em causa a segurança de quem ali circula, temos ainda dúvidas e questões sobre esta decisão. A começar pelo facto de esta decisão não ter sido feita com a aprovação em Assembleia Municipal, nem ter sido alvo de um parecer técnico, como defendemos que obriga o Plano Diretor Municipal”, explicou Ana Guerra Rosbach.
A MUBi, disse, “vai contestar esta decisão e está já a preparar formas de manifestação”.
Menezes contrariou esta argumentação, recomendando à associação que "estude um bocadinho" e, sobre a ação de contestação, ironizou questionando se "não é melhor uma manifestação".
"Devem ser centenas aqui à porta, eu vou gostar de ver", atirou.
