CDU exige reposição do grupo de trabalho de acompanhamento de obras do metrobus no Porto
Porto Canal/Agências
A CDU do Porto exigiu esta quarta-feira a reposição do Grupo de Trabalho de Acompanhamento das Infraestruturas de Transporte Público (GT-AITP) na Assembleia Municipal, após criticar a retoma das obras do metrobus e alterações à linha de alta velocidade.
Num comunicado enviado esta quarta-feira às redações, a CDU (coligação PCP/PEV), que terá dois eleitos na Assembleia Municipal do Porto, aponta que "nos últimos tempos têm vindo a público preocupantes notícias sobre as infraestruturas de transporte na cidade do Porto".
Em primeiro lugar, refere "as propostas de alteração apresentadas pelo consórcio vencedor do concurso de concepção e construção da linha de TGV [linha de alta velocidade], quer no que diz respeito à travessia do Douro, quer à forma de atravessamento da cidade, designadamente quanto à adaptação da Estação de Campanhã e da sua zona envolvente".
"Igualmente preocupante é o reinício das obras da segunda fase do metrobus da Boavista, sem que seja do conhecimento público se houve alterações efectivas ao projecto contestado pelo município do Porto e sem que se saiba quando a primeira fase entrará em funcionamento", aponta ainda.
Para a CDU, "estas notícias tornam-se ainda mais graves num momento em que a cidade atravessa um processo de alteração dos seus órgãos autárquicos, na sequência das eleições de 12 de outubro — situação que não pode ser aproveitada para a tomada de decisões irreversíveis, sem a intervenção dos legítimos representantes da cidade e da sua população".
Assim, a CDU considera "fundamental" que os temas "sejam apreciados, com urgência, pelos órgãos autárquicos".
"Em particular, o seu Grupo na Assembleia Municipal irá propor que o Grupo de Trabalho de Acompanhamento das Infraestruturas de Transporte Público (GT-AITP) seja imediatamente recomposto e retome os seus trabalhos", refere ainda.
As obras da segunda fase do metrobus do Porto, suspensas pela nova administração da Metro do Porto em outubro, recomeçaram na segunda-feira na Avenida da Boavista, entre o Rosário e a Fonte da Moura, confirmou fonte da transportadora.
"Está a ser intervencionado o troço já iniciado entre o Colégio do Rosário e [a Avenida do Dr.] Antunes Guimarães", disse à Lusa fonte oficial da Metro do Porto.
Quanto ao projeto da linha de alta velocidade, de acordo com a Carta Síntese de Impactos presente no Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), e segundo uma contabilização dos impactos diretos ao longo do traçado, nem todas perfeitamente visíveis no mapa, haverá pelo menos 64 afetações diretas de casas em Vila Nova de Gaia e 45 no Porto, que devem significar a sua demolição e, quanto a empresas, 22 em Gaia e cinco no Porto.
O consórcio AVAN Norte, responsável pelo troço Porto-Oiã da linha de alta velocidade, confirma, no projeto de execução, a previsão de demolição de casas na Rua da China e Travessa Presa de Agra, em Campanhã, consultou a Lusa.
"Na Rua da China e Travessa da Presa da Agra é afetado um conjunto de construções habitacionais com estruturas similares, mas níveis de acabamentos e estados de conservação diversos, com vistas sobre o rio Douro, Gaia e Gondomar", pode ler-se no RECAPE do troço Porto-Oiã (Oliveira do Bairro), da linha de alta velocidade Porto-Lisboa.
O consórcio construtor da linha de alta velocidade fez também alterações ao projeto da estação de Campanhã, no Porto, abandonando a ideia de estação-ponte totalmente abrigada, propondo agora uma passagem superior "ventilada naturalmente" e mais estreita, ainda que coberta.
