Sindicato quer que Bosch/Braga pague salários a 100% durante 'lay-off'

Sindicato quer que Bosch/Braga pague salários a 100% durante 'lay-off'
| Norte
Porto Canal/Agências

O Sindicato das Indústrias Transformadoras do Norte (SITE Norte) considerou esta quarta-feira que a Bosch de Braga “tem todas as condições” para pagar a 100% os salários dos 2500 trabalhadores que decidiu, “à socapa”, colocar em ‘lay-off’.

Em comunicado, o SITE Norte acrescenta que a penalização por aquela decisão da multinacional não deve recair sobre os trabalhadores, reduzindo os seus salários e os descontos que vão determinar o valor das suas reformas.

Por outro lado, o SITE Norte considera “inaceitável” que a Bosch, um dos maiores exportadores nacionais, admita que os custos do 'lay-off' sejam pagos pela Segurança Social (dinheiro dos trabalhadores).

“A multinacional alemã opera em Portugal há vários anos e tem recorrentemente acesso a fundos comunitários e estatais, assim como a variados benefícios fiscais, tal como vai beneficiar da recente descida do IRC”, aponta.

A Bosch de Braga anunciou, na quarta-feira, que vai entrar em ‘lay-off’, a partir de novembro e "até presumivelmente” abril de 2026, devido à escassez de componentes para peças eletrónicas.

A decisão vai afetar 2500 trabalhadores.

Segundo o sindicato, a multinacional alemã admite adicionar 18 pontos percentuais aos 66% pagos pela Segurança Social aos trabalhadores em ‘lay-off’.

O sindicato admite que o setor da mobilidade e da energia vive uma “situação complexa”, por ausência de fornecedores com capacidade suficiente e por falta de respostas estatais, mas não admite que sejam os trabalhadores a pagar os seus próprios salários, quando se fala de um grupo económico centenário, com lucros crescentes a cada ano.

“Esses lucros acumulados é que deveriam ser usados para pagar os salários dos trabalhadores que a empresa decidiu pôr em ‘lay-off’”, sustenta.

O SITE Norte diz ainda ser “inaceitável que os trabalhadores só tenham tido conhecimento da desgraça que os vai afetar, após o leite derramado e por notícias na comunicação social”.

“Desde setembro, a administração já avistava uma quebra. Nas últimas semanas, o sindicato emitiu dois comunicados internos, porque foi vaga a informação que obteve sobre as paragens pontuais de produção. Nesse período, o SITE Norte procurou, junto da administração e da Comissão de Trabalhadores, informação sobre as paragens. Decorria já o prazo de negociação do ‘lay-off’ entre a administração e a CT, mas em momento algum foi comunicada a possibilidade de recurso a tal medida”, garante.

A empresa, por seu lado, garantiu estar a fazer tudo para atender os clientes e evitar ou minimizar as restrições de produção, recorrendo, por exemplo, a fontes alternativas de fornecimento.

A Bosch disse também que, assim que a escassez de componentes eletrónicos for ultrapassada, a “produção em Braga deverá regressar à normalidade”.

Em 25 de setembro, a fabricante de equipamentos Bosch anunciou que prevê eliminar mais de 13.000 postos de trabalho até 2030 na Alemanha, argumentando que o trabalho está subutilizado face à concorrência chinesa, levando a críticas pelos sindicatos.

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