Ex-juiz Rui Rangel diz não compreender a demora no processo Operação Lex

Ex-juiz Rui Rangel diz não compreender a demora no processo Operação Lex
| País
Porto Canal/Agências

O ex-juiz desembargador Rui Rangel disse esta quarta-feira que não compreende o tempo que o processo Operação Lex está a demorar e afirmou que não há qualquer atraso no andamento do caso que lhe possa ser imputado.

“Se este processo tem nove anos, o atraso nunca se ficou a dever à minha pessoa. Nem sequer aberturas de instrução pedi”, disse Rui Rangel aos jornalistas à saída do Supremo Tribunal de Justiça, onde esta quarta-feira decorreu a primeira sessão de julgamento da Operação Lex.

Rui Rangel reiterou a intenção de falar durante o julgamento, ainda que tenha decidido fazê-lo “em função da estratégia” definida pela defesa, no momento em que entender oportuno. Frisou que nunca prestou declarações neste processo e que estas “devem ser prestadas a quem está para ouvir”.

A sessão da tarde devia ter sido dedicada a ouvir o ex-desembargador Luis Vaz das Neves, mas um atraso no retomar dos trabalhos, que aconteceu já depois das 15h00, quando estava previsto para as 14h30, levou a defesa de Vaz das Neves a requerer que as declarações acontecessem na próxima sessão, em contínuo. O objetivo era evitar que fossem interrompidas esta quarta-feira pelo encerramento dos trabalhos devido ao horário de trabalho dos funcionários judiciais.

“Creio que faz todo o sentido, até para que o tribunal perceba, portanto o encadear daquilo que são as declarações do mesmo em primeiro lugar e depois o interrogatório do que o Ministério Público, as contra-instâncias que o Ministério Público irá fazer e o eventualmente assistentes ou outros arguidos”, justificou o advogado Miguel Matias.

Vaz das Neves foi o único arguido a manifestar intenção de prestar declarações iniciais, uma decisão tomada em conjunto com a defesa, explicou Miguel Matias, afirmando que a decisão se enquadra no que “tem sido a postura” de Vaz das Neves de “manifestação de inocência”.

“Entendemos que deverá fazê-lo porque não tem que esperar por inquirição de testemunhas ou o que quer que seja, entendemos que seria o correto momento”, disse Miguel Matias.

Com a decisão de adiar a audição das declarações de Vaz das Neves para a manhã de terça-feira, quando acontece a próxima sessão, a tarde desta quarta-feira serviu apenas para calendarizar os dois dias seguintes de trabalhos, sendo que ainda na terça-feira, já com o julgamento a prosseguir no Tribunal Militar de Lisboa, no Campo de Santa Clara, serão ouvidos o assistente no processo João Vieira Pinto, antigo jogador de futebol, e o juiz conselheiro António Martins.

O julgamento da Operação Lex leva a tribunal 16 arguidos, entre os quais os ex-juízes desembargadores Rui Rangel e Vaz das Neves, e o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

A julgamento chegam apenas 16 dos 17 arguidos, uma vez que morreu entretanto o empresário Ruy Carrera Moura, acusado no processo por um crime de corrupção ativa para ato ilícito.

A acusação do MP foi conhecida em setembro de 2020 e centra-se na atividade desenvolvida pelos ex-desembargadores Rui Rangel, Fátima Galante e Luís Vaz das Neves – que, segundo a acusação, utilizaram as suas funções na Relação de Lisboa para obterem vantagens indevidas, para si ou para terceiros, que dissimularam.

Segundo uma nota da Procuradoria-Geral da República, para que fosse garantido o pagamento das vantagens obtidas pelos acusados, num montante superior a 1,5 milhões de euros, foi requerido na altura o arresto de património.

Enquanto decorria a investigação, o Conselho Superior da Magistratura decidiu expulsar Rui Rangel da magistratura e colocar Fátima Galante em aposentação compulsiva. Já Vaz das Neves jubilou-se em 2016 e foi substituído por Orlando Nascimento, que também já abandonou o cargo.

Rui Rangel está acusado de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, recebimento indevido de vantagem, usurpação de funções, fraude fiscal e falsificação de documento e Fátima Galante de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Vaz das Neves responde por corrupção passiva para ato ilícito e abuso de poder, enquanto Luis Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, está acusado de recebimento indevido de vantagem.

O empresário de futebol José Veiga, o oficial de justiça Octávio Correia, o advogado José Santos Martins e o seu filho Bernardo Santos Martins, são alguns dos outros arguidos, a par de Bruna do Amaral, ex-namorada de Rui Rangel.

O processo Operação Lex foi conhecido em 30 de janeiro de 2018, quando foram detidas cinco pessoas e realizadas mais de 30 buscas.

+ notícias: País

FC Porto vai ter jogo difícil frente a Belenenses moralizado afirma Paulo Fonseca

O treinador do FC Porto, Paulo Fonseca, disse hoje que espera um jogo difícil em casa do Belenenses, para a 9.ª jornada da Liga de futebol, dado que clube "vem de uma série de resultados positivos".

Proteção Civil desconhece outras vítimas fora da lista das 64 de acordo com os critérios definidos para registar os mortos dos incêndios na região centro

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) disse hoje desconhecer a existência de qualquer vítima, além das 64 confirmadas pelas autoridades, que encaixe nos critérios definidos para registar os mortos dos incêndios na região centro.

FC Porto em sub17 recebe e vence Padroense 2-1

A equipa de Sub-17 do FC Porto recebeu e bateu este domingo o Padroense (2-1), no Olival, em jogo da 11.ª jornada da 2.ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B. Francisco Ribeiro (41m) e Pedro Vieira (62m) assinaram os golos dos Dragões, que mantêm a liderança da série Norte, com 28 pontos, mais três do que o Sporting de Braga.