Candidato do Volt no Porto quer privados a fazer 15% da futura habitação pública
Porto Canal/Agências
O candidato do Volt à Câmara do Porto, Guilherme Alexandre Jorge, defendeu esta segunda-feira à Lusa que 15% de futuras casas a construir sejam para habitação pública, por imposição da autarquia aos privados.
Numa ação de campanha no polo universitário, em Paranhos, Guilherme Alexandre Jorge foi dizer aos jovens que “é possível construir um Porto e um Portugal em que queiram viver”.
“Nós sabemos que há muitas condições atrativas lá fora, nomeadamente o salário. O meu irmão está a fazer o mestrado em Engenharia Informática e Inteligência Artificial, sei muito bem quanto é que ele ganha nos Estados Unidos. Mas eu quero dizer às pessoas que ainda há razões para viver no Porto, que há coisas que podem melhorar e que nós temos as soluções”, continuou o mais jovem candidato à autarquia portuense.
Para o cabeça de lista do Volt, a solução passa por replicar o que acontece em Viena, na Áustria, que exige que em cada nova construção 15% da habitação, e isto pode ser ajustado por freguesia, por tipologia, construída pelo privado pertencerá ao município.
“É uma condição que os privados terão que aceitar, porque se não o fizerem não têm o lucro que ambicionam”, explicou o candidato, para quem esta é uma situação em que todos ganham.
Sem números para avançar quanto ao número de casas que, dessa forma, poderão surgir no próximo mandato, Guilherme Alexandre Jorge defende ser esta a solução para o problema de habitação pública no Porto, sendo que a câmara terá sempre que fazer a sua parte na construção de mais imóveis.
“Já há terrenos municipais identificados para habitação pública, nós queremos construir e sabemos que o Monte da Bela dá para 600 habitações”, continuou.
O capítulo da mobilidade para quem vive nos concelhos vizinhos e todos os dias tem de deslocar-se para o Porto foi outro dos temas do dia do candidato do Volt, que revelou ser possível “ter autocarros que funcionam, que levam de Santo Tirso, da Trofa, da Maia, de Matosinhos, ao centro do Porto, onde eventualmente encontrará um emprego e, também, que é possível ter as faixas bus que fazem com que esse caminho seja confortável, sem stress, em que não perde o autocarro seguinte”.
“É possível um futuro com mais mobilidade coletiva e confortável. Temos que ver que autocarros estão disponíveis a fazer esse trajeto, temos que falar com as empresas e ver o que é viável, sabendo que nalguns casos há a ferrovia. Aí devemos apostar na ferrovia e é uma questão de verificarmos o que é confortável. Portanto, temos que ver em que caso é que a ferrovia é opção”, continuou o candidato.
Guilherme Alexandre Jorge lembrou as expansões da linha do metro a ser planeadas e outras que estão a ser consideradas, por exemplo, na Maia, unir a linha Maia 2 entre o Fórum Maia e o Hospital São João, para dizer que o seu propósito “é garantir que exista uma boa conexão entre a cidade do Porto e os concelhos em seu redor, entre a área metropolitana”.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro - coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto - independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se no domingo.
