Corte-Real quer proteger a essência do Mercado do Bolhão no Porto

Corte-Real quer proteger a essência do Mercado do Bolhão no Porto
Imagem: Porto Canal
| Porto
Porto Canal/Agências

O candidato do Chega à Câmara do Porto, Miguel Corte-Real, quer proteger a essência do Mercado do Bolhão, que vê com problemas "em crescendo", admitindo que "podia ter falado" sobre isso quando liderava a bancada municipal do PSD.

"Com toda a sinceridade, nós [PSD] fizemos muito pouco para contrariar isto. Mas o problema também foi em crescendo, e os problemas que existem hoje não são iguais aos que existiam há um ano", disse aos jornalistas no Mercado do Bolhão, no Porto, após uma ação de pré-campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 12 de outubro.

Questionado sobre ter saído da liderança da bancada municipal do PSD há pouco mais de um ano (maio de 2024) e do mercado estar aberto há três, o candidato do Chega insistiu que "o problema vem" e "está em crescendo" precisamente neste último ano.

"Podia ter falado antes? Podia, com certeza. Não fujo à pergunta. Podia ter falado antes, podia com toda a certeza. Mas também, nesta campanha, fui confrontado com mais realidade do que tinha", disse, rejeitando "eleitoralismo" na sua tomada de posição.

Em concreto, Miguel Corte-Real aponta que "em metade" das bancas se podia estar "num aeroporto, numa loja de ‘souvenirs’", e defendeu que o que diferencia o Bolhão "são as suas pessoas, os seus produtos e a sua identidade".

Para o cabeça de lista do Chega, no Bolhão "havia duas hipóteses": ou "manter, ou então, se é para fazer um centro comercial de aeroporto em muitos espaços, então não valeria a pena ter feito o investimento".

"Não podemos querer um mercado que mantenha a tradição mas que, ao mesmo tempo, tenha aqui isto, uma sala de jantar em escadas onde nós temos de andar a saltar por cima de pessoas para descer", defendeu, dizendo que "onde estão pessoas no chão, podiam estar pessoas sentadas".

Questionado se defende a instalação de mesas e se tal não levaria a que o Bolhão se tornasse, precisamente, numa aproximação a um centro comercial que rejeita, o candidato do Chega disse que "é verdade essa pergunta e é uma pergunta muito bem-feita".

"Então isto [aponta para pessoas no chão] é uma aproximação a quê? A uma selvajaria? É que isto não é normal, não é de primeiro mundo", classificou.

Para o candidato, "o ordenamento era muito importante" e "não há vantagem" em ter, no piso de cima do mercado, "um comércio indiferenciado, aí sim, com barracas de vendas de ‘souvenirs’ que não são nada a ver com o Porto, que não têm nada a ver com o Porto".

Corte-Real defendeu ainda que as "pessoas possam comprar fruta, possam comprar carne" no mercado, ao mesmo tempo que os comerciantes mais antigos se adaptam a novas realidades.

"Já os vemos a fazer sushi, já os vimos a fazer ‘carpaccio’. Os comerciantes conseguem fazer essa evolução. Mas não podem fazer a evolução e depois convidarem as pessoas a sentarem-se no chão a comer, porque isso não tem nenhuma vantagem", apontou.

Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro - coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto - independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).

O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.

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