Raul Almeida desfilia-se do CDS-PP ao fim de 40 anos de militância

Raul Almeida desfilia-se do CDS-PP ao fim de 40 anos de militância
Foto: Raul Almeida | Facebook
| Porto
Porto Canal/Agências

O ex-dirigente e antigo deputado do CDS-PP Raul Almeida desfiliou-se do partido, criticando a oposição ao reconhecimento da Palestina, que considerou uma “traição profunda” à declaração de princípios dos centristas.

A desfiliação foi confirmada pelo próprio que, em declarações à agência Lusa, explicou que tem vindo a ter “divergências políticas várias” e defendeu que o “partido está subjugado ao PSD e no caminho para a irrelevância total”.

“O limite foi atingido este fim de semana com a tomada de posição sobre Palestina”, disse, considerando que a oposição ao reconhecimento do Estado da Palestina constitui uma “traição profunda à carta de princípios do partido”, que é “profundamente humanista e incompatível com o genocídio” que considerou estar a ocorrer naquela zona.

Na carta de desfiliação enviada na terça-feira ao presidente do CDS, Nuno Melo, e à qual a Lusa teve acesso, Raul Almeida diz que sempre foi “um defensor da solução dos dois Estados” e um “defensor do povo palestino, dos seus direitos e da sua autonomia” e recorda que, “em representação do CDS, foi promotor e coorganizador da primeira visita oficial do parlamento português à Palestina”.

“Vejo todos os dias o massacre, a violação flagrante dos Direitos Humanos, a ocupação hegemónica, o atropelo gravíssimo do Direito Internacional, a morte sob as mais variadas formas de violência e desumanidade, no perpetrar dos mais diversos crimes de guerra. A absolvição ou branqueamento deste horror mancha irremediavelmente quem o faz, nega flagrantemente e agride irremediavelmente a declaração de princípios de 19 de julho de 1974”, refere.

Na carta, Raul Almeida critica igualmente “a exiguidade crescente do partido, a sua inexistência na agenda mediática, a sua submissão ao PSD, a falta dos quadros” e “um ou outro disparate que entreteve a opinião pública”.

Raul Almeida começou a militância na Juventude Centrista, há 40 anos. No CDS-PP, foi presidente da concelhia de Ovar e da distrital de Aveiro, e integrou as direções de Paulo Portas, Ribeiro e Castro e Francisco Rodrigues dos Santos.

Foi também deputado em três legislaturas. Atualmente, é deputado municipal no Porto, eleito pelo movimento do presidente da Câmara, Rui Moreira, e lidera a bancada municipal.

Depois de ter apoiado a candidatura de Rui Moreira, o CDS-PP integra nestas eleições autárquicas a coligação liderada pelo antigo ministro Pedro Duarte, do PSD. Raul Almeida integra a lista de candidatos à Assembleia Municipal do Porto do candidato independente Filipe Araújo.

A nível autárquico, Raul Almeida denuncia também divergências com outros eleitos.

“Tem sido muito difícil para mim liderar uma bancada municipal em que a maioria dos deputados do CDS que integram esta bancada votam de forma diversa da direção da bancada e, obviamente, da coordenação de Rui Moreira”, refere.

À Lusa, o autarca queixou-se de votos alinhados com o PSD, considerando que é já sinal que o “compromisso com a AD e com a coligação é superior ao compromisso com Rui Moreira”.

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