Metrobus e gratuitidade dos transportes dividem candidatos à Câmara do Porto
Inês Saldanha
O futuro do metrobus na Avenida da Boavista e a gratuitidade dos transportes públicos estiveram no centro do debate entre os candidatos do PSD/CDS-PP/IL, PS, “Porto Primeiro” e “Fazer à Porto” à Câmara do Porto.
Metrobus “é um devaneio socialista que causou prejuízo à cidade”
“Aquilo que nós vamos é olhar para o projeto com sentido de responsabilidade, algo que tem faltado desde o início, e vamos ter a capacidade de encontrar uma solução que seja positiva para os portuenses”, disse o candidato da coligação PSD/CDS-PP/IL, Pedro Duarte.
O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares classificou o metrobus como “um devaneio socialista que causou prejuízo à cidade.
“[Encontrar outra solução] implica, em primeiro lugar, reconhecermos que este devaneio socialista que ocorreu há uns anos com o metrobus, causou prejuízos significativos à cidade e caracteriza-se por uma irresponsabilidade que torna quase ridículo o que ali se verifica”, apontou.
Pedro Duarte acrescentou que pretende encontrar “uma solução que privilegie o transporte público, e, ao mesmo tempo, que permita que o enquadramento paisagístico da Avenida Boavista seja diferente”.
Em resposta ao candidato social-democrata, o socialista Manuel Pizarro afirmou não se sentir responsável pelo projeto, atribuindo a responsabilidade “ao governo do qual Pedro Duarte era ministro”.
“Eu não gosto nada daquele projeto. Não me sinto nada responsável por ele. No último ano e meio, a responsabilidade foi mesmo do governo do qual o deputado Duarte era ministro”, defendeu.
Para o candidato do Partido Socialista (PS), a “única decisão razoável é pôr o metrobus a funcionar”.
“Só faltava, que depois de gastos mais de 80 milhões de euros e transformada a vida das pessoas num inferno, nós voltássemos a começar tudo de novo”, declarou, acrescentando que para si isso seria um “cenário aterrador”.
Criação de rede única para juntar STCP à UNIR
Já o candidato do movimento “Porto Primeiro”, Nuno Cardoso, considerou essencial “um sistema de transportes que funcione”.
“Um sistema de transportes que funcione tem de garantir frequências. Só uma pessoa indo para uma paragem sabendo que há, de facto, autocarros de 5 em 5 minutos, é que vai deixar o automóvel em casa”, afirmou.
O candidato defendeu ainda a criação de uma rede única de transportes, juntando a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e a UNIR.
“Propomos unir a STCP à UNIR. Não faz sentido a área metropolitana ter duas empresas. Nós precisamos de resolver a mobilidade da grande cidade”, destacou.
O metrobus, a VCI e a Circunvalação “são tudo farinha do mesmo saco”
Também no âmbito da mobilidade, o candidato do movimento “Fazer à Porto”, Filipe Araújo, criticou a “total inação de sucessivos governos”, destacando a atuação do atual ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
“O metrobus, a VCI e a Circunvalação são tudo farinha do mesmo saco. São situações em que os portuenses estão desgastados com a total inação de sucessivos governos, deste também. Portanto, na realidade o que nós temos é um ministro das Infraestruturas paradas”, frisou.
Sobre as diferentes propostas de gratuitidade nos transportes públicos apresentadas por outros candidatos, nomeadamente Manuel Pizarro e Pedro Duarte, o atual vice-presidente da Câmara do Porto alertou para os riscos financeiros que tal poderia trazer à cidade.
“Nós hoje vemos um chorrilho de cartazes a dizer que é tudo gratuito. Dão tudo a todos. Nós não podemos compactuar com aquilo que já levou este país lá atrás à falência, e que pode levar a Câmara Municipal do Porto também a uma situação que nós não queremos. No dia em que nós estivermos nessa situação, nós estamos de mão estendida em Lisboa. E Lisboa passa a mandar no Porto. Isso eu não admito”, sublinhou.
As eleições autárquicas estão marcadas para o dia 12 de outubro.
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