Debate entre candidatos ao município de Bragança marcado por troca de acusações
Porto Canal/Agências
O debate, esta quinta-feira, na RTP, entre os candidatos ao município de Bragança, às eleições de 12 de outubro, ficou marcado por críticas ao executivo, falta de propostas e ataques entre PS e PSD.
A intervenção do candidato do PSD, Paulo Xavier, e atual presidente do município, ia de vento em poupa, quando começou por destacar os seus principais projetos para o concelho de Bragança, para os próximos anos, como a criação de uma plataforma trimodal, que junta a rodovia, ferrovia e aeroporto. Mas foi sol de pouca dura, quando acabou desmentido pela socialista Isabel Ferreira, que explicou que o investimento ferroviário “não está nas mãos da autarquia”, por não ter verbas financeiras para o fazer, mas sim do Governo, acabando por descredibilizar a promessa feita por Paulo Xavier.
A candidata do PS foi mais longe e apontou o dedo ao município por não ter avançado “absolutamente nada” com a construção da estrada Bragança-Puebla de Sanabria, que tem um financiamento de 29 milhões de euros do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). O social-democrata garante que o projeto está feito e que esperam uma resposta do estudo de impacte ambiental para avançar com a empreitada, mas Isabel Ferreira afirmou, como diz o ditado “a pés juntos”, que o projeto nem sequer existe.
Para a candidata do PS, o atual executivo município tem tido "uma incapacidade enorme" de aproveitar verbas disponíveis para a realização de várias obras, como o Museu da Língua Portuguesa, mas também a reconversão do aeródromo em aeroporto regional.
Os primeiros minutos do debate foram a antevisão do que viria a ser a restante hora, com troca de acusações e com vagas propostas.
Paulo Xavier tinha como trunfo duras críticas à governação de Isabel Ferreira, enquanto secretária de Estado durante quatro anos, dizendo que foi “um verdadeiro desastre”. O candidato do PSD apresentou um mapa do Plano Ferrovial Nacional, onde a rota por Bragança não constava, dizendo que este projeto foi “aplaudido” por Isabel Ferreira, que contrariou, dizendo que isto foi “antes da consulta pública”, cenário diferente do atual, com a inclusão da ligação ferroviária Porto-Bragança-Zamora. Mas Paulo Xavier continuou e lamentou que, enquanto governante, Isabel Ferreira não tenha cumprido a promessa que fez em “2021” com a instalação de rede móvel e internet em todas as localidades. Mais uma vez, a candidata socialista defendeu-se, dizendo que quando saiu do Governo deixou o concurso “lançado”, e que não sabe porque o Governo da AD ainda não avançou com o projeto.
O social-democrata não ficou por aí e apresentou vários documentos que mostravam o crescimento de Bragança, na última década, em termos de volume de empresas, número de trabalhadores e até de turismo. “Isto são factos”, vincou. Mas rapidamente foi contestado por todos os candidatos, quando Paulo Xavier esclareceu que os dados tinham sido recolhidos pelo município. Isabel Ferreira afirmou que “o município não é fonte de informação” e que os dados da CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), referentes ao último trimestre, dão conta de que Bragança é “o concelho da região Norte onde mais aumentou o desemprego e mais diminuiu o volume de exportações”.
Os restantes candidatos, como o independente Manuel Vitorino, também apontaram o dedo a Paulo Xavier, nomeadamente no que toca ao saneamento, que ainda não existe em algumas aldeias de Bragança. No entanto, o candidato do PSD e atual presidente garante que há uma cobertura de “93%” no concelho e que estão agora ser investidos “6 milhões de euros”, passando assim para uma cobertura de “95%”, “acima da média nacional”.
O candidato do Chega, Fernando Afonso, que nasceu em Moçambique e vive desde os 10 anos em Gaia, aproveitou o tempo de antena para dizer que há “uma guerra entre o PS e PSD” em Bragança, que se tem “repetido”, mas quanto a apresentar medidas, disse que “não iria estar a maçar com isso” e ainda salientou que está “de acordo com todos”, no que toca às propostas feitas pelo PS e PSD.
“No período da campanha eleitoral surgem sempre muito boas e plausíveis ideias, projetos, como quem tira coelhos da cartola”, disse o candidato da CDU, António Morais, que considera que é preciso começar por colmatar “necessidades urgentes e prementes”, como a ligação rodoviária entre Bragança e o Planalto Mirandês, mas também a de Bragança-Puebla de Sanabria. Falou ainda da “má imagem” que o município transparece por ter privatizado o serviço da água e recolha de lixo, condenando os ordenados que estão a ser pagos aos funcionários da empresa que detém este setor.
A saúde também foi assunto discutido e quanto a isso os candidatos apontaram a falta de valências no hospital distrital. Para o candidato independente Manuel Vitorino o “hospital de Bragança é a antecâmara da morte”, mas para que haja cuidados de saúde, a Iniciativa Liberal tem uma solução, criar um “seguro municipal”. O candidato Nuno Fernandes explicou que o objetivo é apoiar aqueles que têm “menos condições”, dando-lhes “acesso à saúde”, com a instalação de clínicas privadas em Bragança que, na sua opinião, irá trazer pessoas.
Bragança tem seis candidatos às eleições autárquicas, Paulo Xavier (PSD), Isabel Ferreira (PS), António Morais (CDU), Nuno Fernandes (Iniciativa Liberal), Fernando Afonso (Chega) e Manuel Vitorino (Independente).
Desde 1997 que o município é liderado pelo PSD. Atualmente Paulo Xavier é o presidente da câmara, mas um cargo herdado, depois de Hernâni Dias ter ido para o Governo. É assim a primeira vez que se candidata à presidência do município.
