IL diz que “caso Spinumviva” pesou na não coligação com PSD em Braga

IL diz que “caso Spinumviva” pesou na não coligação com PSD em Braga
| Norte
Porto Canal/Agências

O candidato da Iniciativa Liberal (IL) à Câmara de Braga, Rui Rocha, afirmou esta quarta-feira que o partido não está disponível para um eventual acordo de governação pós-eleitoral com a coligação PSD/CDS/PPM, em parte devido ao "caso Spinumviva".

Num debate na RTP3, Rui Rocha disse que o mesmo caso também influenciou na decisão da IL de não concorrer numa lista conjunta com o PSD/CDS/PPM.

"Esse caso [Spinumviva] fez parte da decisão que foi tomada", afirmou.

Acrescentou que, se não ganhar as eleições de 12 de outubro, assumirá as funções de vereador da oposição.

O cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS/PPM é João Rodrigues, que, através da mulher (advogada) e do pai (sócio de uma gasolineira), tem ligações à empresa Spinumviva, de Luís Montenegro e da família.

João Rodrigues explicou que, no caso da mulher, o que aconteceu é que um dos seus clientes era uma empresa familiar em que um dos sócios se tornou, entretanto, primeiro-ministro

"Onde é que está o mal? Era suposto a minha mulher não trabalhar e não ter clientes? Era suposto a minha mulher ter um tacho na câmara municipal?", insurgiu-se João Rodrigues.

Em relação ao pai, disse que é sócio de um grupo empresarial composto por empresas que têm mais de 90 anos e cuja faturação com contratos públicos é de menos de 1 por cento da faturação total.

Esse grupo, acrescentou, em determinada altura teve "contactos" quer com o escritório de advogados de Luís Montenegro, quer com a empresa Spinumviva.

"Onde está o mal nisso?", voltou a questionar.

João Rodrigues confirmou que "muito depois" do caso Spinumviva teve contactos com elementos da IL para uma eventual coligação em Braga, que acabou por não se concretizar.

Rui Rocha contrapôs que o que pesou na decisão da IL "não foi o caso Spinumviva em si, mas o caso da dependência e da subserviência do João Rodrigues relativamente ao aparelho do PSD e ao governo central".

"Não conheço o caso Spinumviva, as ligações, não quero saber. O que eu sei nesta altura é que há uma possibilidade de não haver uma independência relativamente quer ao aparelho do PSD, quer ao estado central, que é exigível para a cidade de Braga. [Braga] tem de ter a capacidade de chegar, exigir um tratamento pelo menos equitativo e isso não tem acontecido", disse ainda Rui Rocha.

A polémica com a empresa Spinumviva surgiu com notícias do Correio da Manhã que indicavam que, entre outras atividades, se dedicava à compra e venda de imóveis, informação que se juntou a outras notícias de empresas e património detidos por membros do Governo na área do imobiliário, numa altura em que o Governo está a rever a lei dos solos, com possível impacto na valorização de terrenos e casas.

Na sequência das notícias desse ramo de atividade da Spinumviva abriu-se a discussão sobre a eventual atividade profissional do primeiro-ministro em paralelo ao exercício de funções governativas e sobre a identidade dos clientes da empresa e possíveis conflitos de interesse.

Luís Montenegro, que no decurso da polémica recusou identificar os clientes da empresa, rejeitou qualquer influência sobre a sua atividade, insistindo que se desvinculou da sua posição de sócio em junho de 2022, quando cedeu a sua quota à mulher, o que levantou questões sobre a validade do ato, uma vez que o regime de casamento em comunhão de adquiridos pode, segundo especialistas, tornar o ato nulo.

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