Parque de Campismo Académico no Porto em protesto contra a falta de alojamento

Parque de Campismo Académico no Porto em protesto contra a falta de alojamento
| Porto
Porto Canal/Agências

Estudantes da Universidade do Porto concentraram-se esta quarta-feira junto à Câmara Municipal numa ação simbólica de protesto com 18 tendas em representação das 18 mil camas que faltam para concluir o Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES).

Cada tenda deste “Parque de Campismo Académico”, que funcionou durante toda a manhã, representava mil camas prometidas pelo PNAES, que deve ser concluído até ao final de 2026, mas está atualmente com uma taxa de execução de “cerca de 14/15%”, disse Francisco Porto Fernandes, presidente da Federação Académica do Porto (FAP).

“O alojamento estudantil é hoje o principal entrave à frequência e acesso ao ensino superior e, por isso, nós temos aqui 18 tendas, uma por cada mil camas que foram prometidas e que ainda não foram cumpridas e, realmente, é o alojamento estudantil que está a estragar o nosso elevador social em Portugal”, afirmou o dirigente da FAP, em declarações à Lusa.

Em seu entender, o ensino superior tinha de ser “um instrumento de mobilidade social e hoje está a ser um reprodutor das desigualdades”.

“E nós temos esta ação simbólica, também em tom irónico, para chamar a atenção do país que este não é um problema dos estudantes nem das suas famílias é um problema de todo Portugal. Não há uma democracia forte sem mobilidade social”, reforçou.

Debaixo de chuva, os alunos e dirigentes associativos de associações de estudantes da academia do Porto quiseram “chamar a atenção do poder político, nomeadamente do Governo, mas também das instituições de ensino superior, que também têm a sua cota de responsabilidade, e dos principais partidos políticos”.

“Não podemos estar ano após ano com as mesmas reportagens na comunicação social, com o mesmo problema. E o tema não pode ser abordado apenas em setembro, tem de ser o tema do ano”, disse.

O dirigente da FAP defende que até 2030 deveriam ser criadas 30 mil novas camas ou seja, atingir nesse ano cerca de 45 mil camas disponíveis para os universitários.

Francisco Porto Fernandes referiu ainda que “a FAP tem feito a sua parte" e "com as receitas da Queima das Fitas já existem 64 camas disponíveis”, a contar com a residência que foi inaugurada na segunda-feira pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre.

“Tivemos a oportunidade de dizer ao sr. ministro que estamos desiludidos com os últimos sete anos de concretização do Plano Nacional de Alojamento do Ensino Superior” e “lembrar que o alojamento é o principal entrave à frequência do Ensino Superior e o culpado, na minha perspetiva, da diminuição dos estudantes inscritos e colocados no Ensino Superior”, acrescentou.

Em declarações à Lusa, Matilde Vieira, de Leiria, a frequentar um curso na Faculdade de Engenharia do Porto, e Carolina Domingues, de Braga, aluna do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, contaram conhecer casos de alunos que desistiram devido ao “elevadíssimo” valor do alojamento estudantil.

“Tenho colegas e sei de pessoas que põem em causa continuar os seus estudos no Ensino Superior porque não têm alojamento e não têm condições que lhes permitam pagar a renda”, afirmou Matilde Vieira.

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