Santa Casa da Feira vai criar creche de 2 milhões de euros com serviços partilhados com lar de idosos
Porto Canal/Agências
A Santa Casa da Misericórdia de Santa Maria da Feira vai construir uma creche para 78 crianças com serviços comuns ao seu lar da Terceira Idade, anunciando esta terça-feira que esse investimento deverá rondar os dois milhões de euros.
Segundo a referida instituição do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o novo equipamento quer dar resposta à crescente procura de ensino pré-escolar até aos 3 anos na cidade da Feira, vai ser edificada em terrenos contíguos ao Lar S. Nicolau e terá áreas partilhadas com essa estrutura, para lhe garantir uma "componente intergeracional".
"Essa questão do relacionamento entre as duas faixas etárias é muito importante, porque ter crianças e idosos a conviver todos os dias no jardim, por exemplo, permite que os mais pequeninos aprendam a lidar com os mais velhos, o que os levará a valorizá-los ao longo de toda a vida, e também permite aos utentes do lar encarar os dias com outro ânimo, por terem a alegria dos meninos por perto", explica à Lusa a provedora da Santa Casa, Conceição Alvim Ferraz.
O projeto arquitetónico da creche já foi aprovado pelo Instituto da Segurança Social – que, de acordo com a provedora da Misericórdia, "o considerou muito disruptivo e muito moderno" – e aguarda agora a abertura do concurso do Ministério do Trabalho e Segurança Social para candidatura a cofinanciamento.
A expectativa da Santa Casa é que a obra possa avançar para execução em 2026 e "entrar em funcionamento em setembro de 2027".
A diretora técnica do Lar S. Nicolau, Patrícia Rosado, admite que "vai havendo alguma resposta na região à procura de creches", mas diz que, graças às "alterações demográficas na Feira, que tem atraído mais população devido ao crescimento do seu tecido económico e industrial, ainda há muita população que não tem onde deixar os filhos quando vai trabalhar e acaba por inscrevê-los em locais fora do concelho".
"E o problema adensou-se com o programa de gratuitidade instituído pelo Governo há uns anos", realça.
A nova creche vai ocupar cerca de um hectare de terreno, o que abrange uma área de construção na ordem dos 1.462 metros quadrados e também inclui uma faixa verde nas margens do rio Cáster, ao longo da ecovia que o acompanha, mediante um acordo de comodato com a autarquia.
"Outra componente muito relevante do projeto é a ambiental, não só pela conexão ao passadiço e ao rio, mas também graças a uma horta e a um jardim sensorial, em que os 57 utentes do lar vão poder trabalhar com as crianças", adianta Conceição Alvim Ferraz, indicando que essas estruturas serão "adaptadas às duas gerações", inclusive a utilizadores em cadeiras de rodas.
Serviços como cozinha, lavandaria e gabinetes administrativos serão partilhados entre lar e creche, mas, mesmo assim, a provedora está preocupada com os custos da obra, que criará 14 novos postos de trabalho.
"É um projeto muito caro e, do valor global necessário, temos 20% em capitais próprios", adianta.
"Como a tutela não financia a totalidade do investimento, esperamos que nos atribua 70 a 80%, mas ainda precisamos de verbas para as partes não elegíveis, que são as relativas a equipamento técnico, software, decoração, hortas, etc.", revela.
A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira já se comprometeu, contudo, a apoiar a obra, suportando “50% do valor não comparticipado”.
Quanto à designação oficial da nova creche, já está definida: numa alusão a quem vai beneficiar do espaço e também ao vocabulário comum no período medieval em que o Castelo da Feira teve o seu apogeu, o estabelecimento de ensino vai chamar-se "Infantes de Santa Maria".
