Siza Vieira disse que já previa que ficasse fora da lista do Património Mundial da UNESCO

Siza Vieira disse que já previa que ficasse fora da lista do Património Mundial da UNESCO
Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
| Porto
Porto Canal/ Agências

O arquiteto Álvaro Siza Vieira disse esta quarta-feira que já previa que o Comité do Património Mundial da UNESCO deixasse de fora uma candidatura de um conjunto de oito obras suas.

“Eu previa que fosse [deixada de fora]. Eu disse, aliás, às pessoas que tiveram um trabalhão tremendo e que tomaram essa iniciativa ‘isso não dá’. Disse-lhes porque essas coisas demoram muito tempo e uma coisa que conta muito nas apreciações feitas é o tempo”, revelou o arquiteto.

Siza Vieira falava aos jornalistas à margem de uma apresentação, organizada pela Câmara do Porto, de um projeto de loteamento para a Avenida da Ponte, uma zona para a qual já apresentou três projetos desde 1968.

O arquiteto considerou que o Comité do Património Mundial da UNESCO não iria aprovar “uma coisa feita anteontem e muito menos quando a candidatura é só da obra em Portugal, naturalmente”.

“E eu em Portugal quase que só tenho ruínas e casinhas. Quase nada, não é? Onde tenho obra é na Holanda, na Alemanha, na Itália, na Coreia, na China”, lamentou.

Na decisão relativa à candidatura “Obras de Arquitetura de Álvaro Siza em Portugal", o Comité do Património Mundial da UNESCO, que terminou esta quarta-feira a sua 47.ª sessão, iniciada no dia 06 de julho, em Paris, recomenda "reconceptualizar" a proposta, de modo a "incluir uma selecção reduzida de exemplos influentes a nível internacional das obras de Álvaro Siza", e requer a garantia de que "as partes componentes selecionadas sejam registadas como Monumentos Nacionais".

Entre outras recomendações relacionadas com "os limites" das obras selecionadas, como a incorporação de "edifícios inteiros" e envolventes que satisfaçam "condições de integridade" e "proteção adicional", o comité da UNESCO requer ainda a definição de planos de "gestão de riscos, interpretação, comunicação e manutenção" assim como a criação de uma associação responsável "pela gestão global" dessas obras.

A candidatura, coordenada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), abrangia o edifício da própria FAUP, o Museu de Serralves e o Bairro da Bouça, no Porto, a Piscina das Marés e a Casa de Chá da Boa Nova, em Matosinhos, o Pavilhão de Portugal, em Lisboa, a Igreja do Marco de Canavezes e a Casa Alves Costa em Caminha.

De Portugal, foram ainda submetidos três relatórios sobre os estados de conservação do Santuário do Bom Jesus, em Braga, do Real Edifício de Mafra e do Centro Histórico de Guimarães e da Zona de Couros.

O Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) esteve reunido em Paris e analisou e votou candidaturas de países dos cinco continentes, entre os quais Brasil, Guiné-Bissau e Moçambique, além de Portugal.

A Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural foi adotada pela UNESCO em 1972 e tem por objetivo “proteger os bens patrimoniais dotados de um valor universal excecional”, como se lê na página da Comissão Nacional da UNESCO.

A cidade de Busan, na Coreia do Sul, acolherá a 48.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, em 2026.

+ notícias: Porto

Academia do Porto quer levar à AR propostas para modernizar país

A Federação Académica do Porto anunciou esta terça-feira, Dia Nacional do Estudante, que quer submeter à votação na Assembleia da República um documento para a modernização de Portugal que assenta em reformas na “Saúde, Educação, Economia, Estado e Sistema Político”.

Mais de 1.600 pessoas subscreveram petição contra ampliação de terminal de Leixões

Mais de 1.600 pessoas assinaram uma petição pública que contesta a ampliação do terminal de contentores Norte do Porto de Leixões, em Matosinhos, à qual a câmara já deu parecer desfavorável.

Sindicato acusa PSP do Porto de “branquear a realidade” da esquadra de Cedofeita

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, acusou o Comando Metropolitano do Porto da PSP de “branquear a realidade” ao negar que o atendimento à população tenha fechado na esquadra de Cedofeita.