Câmara do Porto diz que agressão a voluntárias que apoiavam sem-abrigo foi “situação pontual”

Câmara do Porto diz que agressão a voluntárias que apoiavam sem-abrigo foi “situação pontual”
| Porto
Porto Canal / Agências

O vereador da coesão social na Câmara do Porto disse que as agressões a voluntárias do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA) foi uma situação “pontual” e que vão ser propostas sessões de “capacitação e qualificação” pelas forças policiais.

“Até ao momento, é ocorrência pontual cujas motivações as entidades competentes estão a investigar. Não há registo de qualquer outro tipo de ocorrência”, afirmou Fernando Paulo.

O jornal Público escreveu que “duas mulheres que integram equipas de voluntários que distribuem ajuda alimentar a pessoas em situação de sem-abrigo, no Porto, foram injuriadas e vítimas de “empurrões e murros” por dois homens, que, depois de terem feito a saudação nazi, as responsabilizaram pelo aumento de imigrantes no país”.

Fernando Paulo, que falava aos jornalistas no final de uma reunião Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo – NPISA do Porto para analisar a situação e debater formas de prevenção de novos casos, disse que a associação visada retomou a sua atividade “com regularidade e normalidade” nas ruas da cidade.

“Neste momento, as associações mantêm o seu trabalho com regularidade e normalidade”, assegurou, acrescentando que as forças de segurança “garantiram” ao NPISA que “as equipas podem continuar a trabalhar com todo o conforto e segurança”.

Fernando Paulo, que é também coordenador do NPISA Porto afirmou que a situação que ocorreu no feriado do 10 de junho, “gerou maior união entre todas as instituições [que integram aquela estrutura] e maior solidariedade para continuar o trabalho no reforço do serviço ao bem comum, em prol das pessoas mais carenciadas”.

“Queremos afirmar de forma muito coletiva a união da rede social do Porto e do NPISA Porto. Somos intolerantes relativamente a este tipo de comportamentos e atitudes. Isto só no fortalece e robustece e só nos leva a dizer que continuaremos unidos em prol da nossa cidade e no combate às situações de pobreza e exclusão social”, sustentou.

O NPISA Porto “agrega mais 70 organizações que garantem todo o trabalho de proximidade quer nas instituições, quer nos 60 espaços de pernoite que a cidade tem”. A estrutura municipal serve, diariamente, duas mil refeições quentes.

Apesar “da normalidade e de até ao momento ser uma situação pontual” o coordenador do NPISA manifestou “preocupação relativamente aos discursos de ódio que cada vez são mais frequentes” e alertou para a necessidade de manter “alguma vigilância, alguma atenção” de “repudiar esse tipo de situações e fazer a pedagogia social”.

Fernando Paulo revelou que o NPISA, juntamente com o comandante da Polícia Municipal estão a preparar um “plano de contingência” que será apresentado no próximo mês e que prevê “a capacitação e qualificação das equipas e organizações que atuam neste tipo trabalho e missão que é exigente”.

Acrescentou que a formação “será dada pelas forças policiais”.

Segundo os dados que apresentou na cidade do Porto há 600 pessoas a viver em situação de sem-abrigo, sendo que “destas pouco mais de 200 estão nas ruas, sem teto e, as restantes em respostas sociais”, para além das pessoas que “vivem em situação de vulnerabilidade social e migrantes”.

O comandante da Polícia Municipal, superintendente Leitão da Silva, classificou as agressões às voluntárias de “evento atípico e isolado” e assegurou que “uma situação não pode alterar a prestação de um serviço absolutamente meritório”.

“Seria um erro enorme num Estado do Direito que por um ato criminal se tivesse de reprogramar tudo e que estes equipas tivessem de ser obrigadas a alterar as rotas porque os sem-abrigo muitas vezes não alteram as rotas (…) Continuem a fazer exatamente a mesma coisa porque não podemos enviesar um Estado de Direito (…) O ódio, o discurso discriminatório, o racismo não tem espaço na democracia. É isso que tentamos assegurar todos os dias”, afirmou.

Leitão da Silva descartou “a ideia de ter um polícia por cada carrinha” do serviço de voluntariado, mas disse que as equipas “vão ser reforçadas, articulando e gerindo os recursos das forças policiais, a Polícia Municipal e o Comando Metropolitano da PSP do Porto, cuja comissária Ana Proença marcou presença na reunião desta quarta-feira.

Além da formação às instituições e voluntários, o comandante Leitão da Silva disse estar a ser preparada uma linha direta com as forças policiais que os voluntários possam utilizar.

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