Grupo Do Lado de Fora estreia comédia poética "O que carregamos?" no Teatro do Campo Alegre

Grupo Do Lado de Fora estreia comédia poética "O que carregamos?" no Teatro do Campo Alegre
Foto: Teatro Municipal do Porto
| Porto
Porto Canal/ Agências

A peça “O que carregamos?”, do Grupo de Teatro Do Lado de Fora, é “uma comédia poética”, concebida pelos seus intérpretes num projeto de inclusão, e estreia-se esta quinta-feira, dia 20, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.

A peça congrega dois géneros difíceis, o “teatro físico e o 'clown'”, e foi sendo construída nos ensaios pela companhia, fundada em dezembro de 2022, mas que já soma mais de dois anos de trabalho com pessoas em situação de exclusão e vulnerabilidade social, amadores e profissionais do teatro, num projeto dirigido pelo ator, encenador e dramaturgo Rui Spranger.

“O que carregamos?”, disse o diretor artístico à agência Lusa, é um espectáculo com "muito pouco texto", "muito mais visual".

No início, um funcionário do teatro entra em cena a varrer o chão do palco negro onde estão deitados dez palhaços de cabeleiras encaracoladas e cores garridas, com as suas malas a fazerem de almofada. Despertam ao som de uma buzina que toca abruptamente, levantam-se, arranjam-se, tomam banho, vestem-se, penteiam-se, sempre sincronizados, e seguem para o trabalho com as suas malas, num mesmo autocarro.

A viagem é vertiginosa e tão cheia de travagens e acelerações, ao ritmo frenético do motorista, que alguns quase caem, outros quase vomitam, todos resistem.

O texto na peça pode ser mínimo, mas a mímica supera-o, e há música a partir de guitarra e de um baixo tocados em palco, e há muitos sons e interjeições entoados pelos atores que conseguem levar o espectador à gargalhada e ao sorriso constante.

Em entrevista à agência Lusa, à margem do ensaio de imprensa, Rui Spranger explica que esta primeira produção conta com um elenco de quase duas dezenas de pessoas, entre as quais dois atores profissionais e as restantes amadoras, algumas em situação de sem-abrigo, outras com doença mental e outras ainda beneficiárias do Rendimento Social de Inserção.

“Aquilo que nós temos em cena é um grupo de pessoas, que trabalha todo no mesmo sítio, acorda todo à mesma hora, apanha o mesmo autocarro e que é uma massa com falta de individualidade”, descreve Rui Spranger.

Segundo o diretor artístico, o espectador vai encontrar no palco um ser estranho, que as pessoas em geral não entendem.

“Esse ser estranho está numa situação de sem-abrigo. Esse estranho não é ignorado. Recebe ajuda apenas de uma única pessoa e, de alguma maneira, esse é o lado poético do espectáculo e desse confronto com o outro”.

O elenco do grupo Do Lado de Fora é constituído por uma maioria de homens, havendo sete mulheres, atualmente. A idade dos atores varia entre os 24 e os 60 anos.

É um grupo “bastante heterogéneo”, com atores de “vários extratos económicos, vindos de situações profissionais distintas ou sem situações profissionais nenhumas”, explica Rui Spranger, salientando que todos os artistas são remunerados.

Para Rui Spranger, o que distingue este grupo de outras companhias teatrais - a existir uma distinção principal - é a de haver um “enorme exercício de tolerância”.

“É um grupo assente na tolerância e na compreensão do outro, onde há a possibilidade de falhas de última hora, e temos uma estrutura que permite que os espectáculos aconteçam sem perder qualidade”, mesmo que essas falhas tragam “angústia ou 'stress'”, sublinha o diretor artístico à Lusa.

Segundo Spranger, há um “exercício contínuo de tolerância e nunca ninguém 'sai de fora', ou seja, as pessoas podem reintegrar sempre o grupo: saem, desaparecem, voltam e são sempre bem-vindas”.

Embora formalmente a companhia remonte há quase 14 meses, a Do Lado de Fora nasceu há mais de dois anos no âmbito de oficinas artísticas promovidas pela Câmara Municipal do Porto, recorda Rui Spranger, referindo-se ao projeto SOmOS e ao espectáculo "É!", estreado em junho de 2022, no Teatro de Campo Alegre. A companhia emergiu no contexto da Apuro - Associação Cultural e Filantrópica, com apoio da Junta de Freguesia do Bonfim,

O espectáculo "É!" "teve um sucesso tão expressivo, que gerou uma dinâmica própria", conduzindo "à criação do grupo de Teatro Do Lado de Fora, em dezembro de 2022, um coletivo aberto a todos e uma experiência extraordinária de inclusão pela arte", lê-se no 'site' da Apuro.

A companhia "tornou-se um símbolo de esperança e ação, oferecendo um espaço inclusivo onde a arte serve de catalisador para a integração social", acrescenta a associação. "Este coletivo autónomo fortaleceu a voz dos indivíduos, aboliu barreiras sociais e cultivou um ambiente onde todos são iguais na sua expressão artística, promovendo dignidade e comunhão através do teatro."

A peça “O que carregamos?” estreia-se na quinta-feira, 20 de fevereiro, às 21h30, no Teatro de Campo Alegre. Tem uma hora de duração e é para maiores de seis anos.

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