CDU considera que há uma 'bolha' especulativa no Alojamento Local no Porto
Porto Canal/Agências
A CDU afirmou que há uma 'bolha' especulativa no negócio do Alojamento Local (AL) no Porto, considerando que existem muito mais estabelecimentos de AL e hotéis face ao número médio de dormidas na cidade.
"Achamos que do ponto de vista do número de alojamentos locais sim, não temos dúvidas dessa situação", disse esta quinta-feira o deputado municipal da CDU/Porto Rui Sá quando questionado sobre a existência de uma 'bolha' no AL, em conferência de imprensa sobre o tema realizada no centro de trabalho do PCP no Porto.
O deputado municipal tinha comparado a proliferação de estabelecimentos de AL com a situação da banca no passado: "nós tivemos uma 'bolha' imobiliária, era o mercado a funcionar até que rebentou, e quando rebentou quem teve de apanhar os estilhaços fomos nós todos", referiu.
Segundo os números apresentados pela CDU (PCP/PEV) na conferência de imprensa, que também contou com a presença da vereadora da coligação na Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, e o membro da Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP Cristiano Castro, há cerca de 20 mil dormidas diárias no Porto, o que representa uma "subocupação" hoteleira.
"Dando de barato que temos 20 mil dormidas por dia, em média, na cidade do Porto, tendo em conta o número de alojamentos locais [cerca de 10 mil], o número de camas que os AL têm [45 mil] e somando-lhe os hotéis [184] e o número de camas que os hotéis têm [mais de 21 mil], já começamos de ter uma subocupação dos estabelecimentos de AL que atualmente temos", considerou Rui Sá.
Para os eleitos da CDU no Porto, tal situação "é inadmissível numa cidade com tantas carências", ao existirem "estabelecimentos de alojamento local que têm taxas de ocupação que poderão variar entre os 20 e tal por cento e 30%", ou seja, estão ocupados "dois a três dias por semana".
"É evidente que há picos, é evidente que se calhar no São João temos tudo ocupado e há carências de alojamentos, mas nós não podemos planear uma cidade para os picos, temos de planear a cidade do ponto de vista médio", salvaguardou.
Rui Sá recordou que, atualmente, a Câmara do Porto tem à sua disposição "um instrumento fundamental que é a taxa turística", pelo que "é fácil" observar os cerca de 10 mil AL que existem atualmente no Porto "e ver quem é que anda a pagar taxa turística e quem não anda a pagar taxa turística".
"Cremos também que há alguns alojamentos locais que estão a migrar para alojamento de imigrantes", adiantando Rui Sá que "pode ser mais rentável ainda ter imigrantes a pagar à cama do que ter um AL ocupado duas ou três noites".
Para a CDU, "não deve ser o mercado a determinar isto, até porque o mercado está altamente especulativo".
Ilda Figueiredo assinalou que "há esse alojamento de pessoas migrantes em péssimas condições, e de uma exploração inadmissível", considerando que há "antigos estabelecimentos militares e outros, e são vários, para evitar as situações que se estão a viver na cidade", envolvendo também pessoas sem abrigo.
"O Estado tem aí - há um problema do Estado - grandes edifícios ao abandono, quando eles poderiam estar a servir para atenuar toda esta pressão. Para além do AL há todo este problema", observou.
Relativamente ao AL, a vereadora da CDU recordou ainda que a sua força política não é "por princípio, contra o AL em geral", havendo "pequenos negócios de AL familiares que fazem todo o sentido e que ajudam a economia familiar".
"Isso é uma coisa", vincou, sendo outra é a atribuição de AL "a grupos financeiros, económicos, empresas", conduzindo à "exploração" do negócio e à "especulação imobiliária, especulação no AL, com a especulação na habitação que reina na cidade e as pessoas sabem isso".
Para Ilda Figueiredo, a situação "está a ser insuportável", tendo o gabinete da CDU na Câmara do Porto já recebido denúncias relativas à "pressão que continua a ser feita sobre os moradores, designadamente pessoas com mais de 70 anos", para deixarem as suas casas.
