Leilão para parque de eólicas ‘offshore’ em Leixões continua em cima da mesa e avança em 2025
João Nogueira
O projeto do complexo de eólicas "offshore" em Leixões, em Matosinhos, continua em cima da mesa e vai avançar. Ao Porto Canal, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, apontou para 2025 o lançamento do leilão que dará início à instalação das infraestruturas.
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Em declarações ao Porto Canal, a ministra detalhou os próximos passos para a implementação do projeto, que deverá contribuir significativamente para a produção de energia renovável em Portugal. “São definidas as áreas este ano. Para o ano, se tudo correr bem, abrimos o concurso para a área mais favorável", revelou a ministra, explicando que o processo está a ser feito em duas fases.
A primeira fase consiste na definição das zonas adequadas para a instalação das infraestruturas eólicas e está a cargo do Ministério da Economia, da Secretaria de Estado do Mar e da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).
“O mapa já está quase pronto e será submetido à resolução do Conselho de Ministros ainda este ano", afirmou a ministra.
A segunda fase envolve a organização dos leilões para a instalação das infraestruturas, apontada para 2025.
A ministra destacou que, devido ao elevado custo da tecnologia envolvida, o Governo está a negociar parcerias com outros países para garantir o financiamento do projeto, com destaque para o Luxemburgo e a Dinamarca. “Estamos a tentar com a Dinamarca e o Luxemburgo, que nos vão ajudar do ponto de vista financeiro", sublinhou.
Além disso, Maria da Graça Carvalho esclareceu que o processo será coordenado pela Comissão Europeia e que deverá ser lançado o leilão para a instalação das primeiras infraestruturas eólicas nas áreas definidas já em 2025.
A ministra não deixou de reforçar que, apesar do leilão ocorrerno próximo ano, a instalação do complexo de eólicas será um processo longo, a decorrer nos anos seguintes, dada a complexidade e o investimento envolvido.
Proposta mudou após contestação
Inicialmente, o parque eólico no mar seria construído ao longo da costa de Matosinhos, Porto, Gaia e Espinho, a apenas três quilómetros da costa.
Após depreciação da parte de todos os municípios envolvidos, a proposta preliminar de dezembro de 2022 foi alterada. O parque de turbinas eólicas “offshore” deixou de estar a apenas três quilómetros, passando para uma localização mais distante, a 38 quilómetros.
Segundo o que a Câmara de Matosinhos divulgou, à data da alteração do projeto, e de acordo com "o que consta da segunda versão do PAER [Plano de Afetação de Energias Renováveis], a zona Matosinhos (a 3 km da costa) é eliminada, mas a área e capacidade de produção de energia é transferida e concentrada na zona Leixões (a 38 km da costa)”.
A área do parque em Leixões aumentou cerca de 39%, passando de 463 quilómetros quadrados para 644 quilómetros quadrados.
De recordar que o plano de investimento foi avançado por um grupo de trabalho criado pelo Governo, em dezembro de 2022, para o planeamento e operacionalização de centros eletroprodutores renováveis com localização oceânica.
