Porto quer disciplina de literacia financeira nas escolas do 1.º ao 12.º ano
Alexandre Matos e Catarina Cunha
O Município do Porto quer implementar um programa para levar a uma disciplina de literacia financeira para as escolas do Porto. A intenção foi anunciada por Ricardo Valente, vereador da Câmara Municipal do Porto com os pelouros das Finanças, Atividades Económicas e Fiscalização e da Economia, Emprego e Empreendedorismo. A inclusão da temática nas escolas é “primordial”, disse uma professora da Escola Secundária Filipa de Vilhena ao Porto Canal, reconhecendo que é “ambicioso” a criação de uma disciplina própria.
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Numa conferência de seguros em julho, Ricardo Valente afirmou que “Portugal é o país da Europa onde as pessoas menos investem em ativos financeiros”, algo que justifica, na opinião do vereador, uma aposta na literacia financeira dos jovens.
“As pessoas não são ensinadas desde tenra idade sobre temas financeiros, e nós vamos ter um papel claríssimo do ponto de vista do que é a literacia financeira”, disse o vereador.
O responsável pela pasta das Finanças da autarquia portuense diz que “vamos pela primeira vez implementar um programa de literacia financeira, e estamos a fazê-lo para que as crianças da cidade do Porto, desde o primeiro ano, tenham uma disciplina de literacia financeira, que os vai acompanhar desde os 6 aos 18 anos”.
O objetivo, segundo o vereador, é que “daqui a uma geração, os jovens aos 18 anos percebam o que é um seguro, um plano de pensão, porque é que devem ter um seguro de casa, um seguro de acidentes de trabalho e porque é que devem pensar na sua reforma com tempo”.
Apesar de a medida ter sido anunciada já em julho, ainda não existe data de previsão para a entrada em vigor da disciplina. Contactada pelo Porto Canal, a Câmara do Porto não adiantou qualquer detalhe do programa.
Programas de literacia financeira nas escolas do Porto
No Porto existem já dois programas que pretendem levar a literacia financeira às escolas. Em parceria entre o município e a Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, as iniciativas “No Poupar Está o Ganho” e “Por Tua Conta” envolveram, no último ano letivo, cerca de 3500 alunos. A Escola Secundária Filipa de Vilhena é um dos estabelecimentos de ensino que participa nas iniciativas.
“O impacto nos alunos é fantástico, eles aprendem muito e são criativos”, sublinhou Maria José Carvalho, professora de informática naquela instituição de ensino há 26 anos.
Relativamente ao projeto da Câmara do Porto, a docente afirma que “é ambicioso” e “primordial” que os estudantes aprendam sobre literacia financeira, algo que na sua opinião deve ser transversal a todas as idades, uma vez que “todos precisam”. Neste capítulo, reitera a importância de existir uma adaptação nos métodos de ensino.
“Dar aulas a uma criança de seis-sete anos não é o mesmo que a um jovem de 16-17 anos, que já está a pensar até na entrada na vida ativa. É claro que a adequação faz-se para cada nível etário, portanto [com os mais novos] começar com pequenos conceitos e jogos para eles começarem a aprender os conceitos de uma forma mais descontraída e divertida. A gamificação é sempre uma forma de aprendizagem”, apontou.
A educadora na área informática alega que hoje em dia os alunos, sobretudo os de faixa etária mais velha, estão mais preocupados com a gestão financeira na vida adulta e, por isso, “as dúvidas são muito pertinentes”. “Onde é que me posso inscrever na Segurança Social? Quais são os impostos que tenho que pagar”, são algumas das perguntas das turmas de Maria José Carvalho.
Tal como a disciplina de Cidadania “teve que ser incluída no currículo”, a professora acredita que “poderá ser pensado” o mesmo para com a Literacia Financeira. “Acho que os alunos iam dizer que sim, principalmente se fosse sobre temas que lhes interessam”, conclui.