Universidade e Câmara querem defender memória e estudo da arquitetura de Coimbra

Universidade e Câmara querem defender memória e estudo da arquitetura de Coimbra
| Norte
Porto Canal/ Agências

O Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e o Arquivo Municipal formalizaram esta terça-feira um acordo de cooperação para promover a preservação da memória e o estudo da arquitetura e do urbanismo da cidade e região.

Um dos objetivos desta cooperação é “reunir as condições para a criação de um Centro de Informação e de Investigação de Arquitetura de Coimbra (CIIAC), através do qual estas entidades possam identificar, tratar, disponibilizar e difundir, por vários meios, conteúdos informacionais”, afirma a Câmara Municipal de Coimbra (CMC).

“O CIIAC vai ter ainda como função dinamizar a promoção dos trabalhos de arquitetura e de urbanismo que marcaram a região Centro até à atualidade, na perspetiva de dar origem a uma nova centralidade no país”, adianta a autarquia numa nota.

“Este é um dia importante”, com a junção dos “nossos arquivos e recursos, que devem ser investigados, para os colocar à disposição de todos e para, sobre eles, se produzir investigação e futuro”, disse o presidente da CMC, José Manuel Silva, na sessão de formalização do contrato, que decorreu esta terça-feira na Capela do Colégio das Artes.

O autarca afirmou ainda tratar-se do “culminar de mais uma cooperação intensa e profícua” entre a Universidade de Coimbra (UC) e a Câmara da cidade.

“E tem de continuar a ser assim, porque, juntando estas grandes instituições, conseguimos unir competências, missões e trabalhar em conjunto pelo desenvolvimento e afirmação de Coimbra e da Universidade”, completou José Manuel Silva.

Esta cooperação permite a partilha de informação entre as instituições, possibilitando, por exemplo, “que alunos e investigadores da Universidade tenham acesso a documentos técnicos da Câmara Municipal, enquanto informação de apoio para a criação de conhecimento”, informa a autarquia na mesma nota.

O Arquivo Municipal vai poder também assegurar o tratamento arquivístico e a difusão digital de acervos documentais cedidos ao Departamento de Arquitetura, “relativos a alguns dos mais prestigiados arquitetos e urbanistas, tais como Étienne de Gröer, Vasco Cunha e Carlos de Almeida”.

“É um exemplo similar do que já sucede com o fundo disponível no Arquivo Digital de Coimbra, da autoria do arquiteto Silva Pinto”, refere a autarquia.

Ao longo da sessão desta terça-feira, o reitor da Universidade, Amílcar Falcão, declarou ter sido com “muita satisfação” que vê este trabalho conjunto, classificando-o como um “passo importante e muito positivo” para a “criação desta estrutura conjunta”, o CIIAC.

Sair das “paredes da Universidade” e ir “para o terreno, estarmos com a comunidade”, é “claramente um ponto que eu creio que merece ser realçado”, sustentou o reitor.

No final da cerimónia, foi também apresentado o projeto “Coimbra Nouvelle Vague”, relacionado com os termos do protocolo assinado esta terça-feira, já que “ele começa naturalmente com o Arquivo”, esclareceu José António Bandeirinha, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto.

“Ao recebermos o acervo de alguns arquitetos influentes na cidade, ao longo do século XX, fomo-nos apercebendo da forma como a cidade aceitava melhor ou pior essas arquiteturas e fomos, sobretudo, percebendo uma determinada época”, notou José António Bandeirinha.

“E é sobre essa época que nós vamos fazer o projeto”, vincou o arquiteto, esclarecendo que este “não é um projeto de história”, mas sim um mecanismo que busca “perceber o que funcionou naquela altura e o que pode ou não funcionar hoje”.

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