Portuenses contra estacionamento pago na zona industrial. “Quem põe aqui o carro é porque vem trabalhar”

Portuenses contra estacionamento pago na zona industrial. “Quem põe aqui o carro é porque vem trabalhar”
Pedro Benjamim | Porto Canal
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Porto Canal

Trabalhadores e moradores da zona industrial no Porto estão contra o estacionamento pago em três ruas que pode começar ainda durante este mês de fevereiro. Na Avenida Fontes Pereira de Melo e nas ruas Manuel Pinto de Azevedo e Eng. Ferreira Dias foram já formalizados 512 novos lugares de estacionamento pago, ainda que estes não estejam já a ser cobrados.

Carla Oliveira, moradora numa das ruas, não concorda com a medida. “Não é muito bom. Isto não é uma zona de compras, é uma zona de trabalho”, ainda que admita que é necessário tirar mais carros das ruas. Para tal, acredita, é preciso “haver mais disponibilidade de transportes” públicos.

Também vários trabalhadores mostraram preocupação com a alteração. “Não acho muito correto”, diz Albertina Martins. “Quem põe aqui o carro é porque vem trabalhar diariamente. Não é uma zona de lazer”.

A profissional num comércio na rua Eng. Ferreira Dias afirmou ainda que os valores a serem pagos todos os dias tornam-se no despesa considerável para quem lá trabalha. “Realmente quem fizer contas, e quem tiver esta despesa, vê que tem que optar por outras medidas. Porque isto quando chega aos 22 dias úteis, é um valor muito elevado”.

Os parquímetros já foram instalados e vai ser cobrada a tarifa mais baixa. Uma hora custará 0,40€ e um dia completo (10 horas) 2,40€.

Já Henrique Ribeiro, também trabalhador na rua, afirmou ao Porto Canal que “é mais uma dificuldade acrescida para nós, porque mesmo a ser cobrado os lugares vão estar cheios e vamos continuar com o mesmo problema: dificuldade em estacionamento”.

O objetivo da Câmara Municipal do Porto é desincentivar o uso do transporte individual e fomentar o uso de modos suaves e transportes públicos. Para Pedro Baganha, vereador da autarquia, o município não pode ter um discurso em que afirma que um dos problemas da mobilidade da cidade é o excesso de utilização do automóvel privado em detrimento do transporte coletivo público e depois em “zonas tão bem servidas” como a zona industrial – com linhas de autocarro e metro – a promoção de transporte coletivo não ser feita.

Trabalhadores não concordam com justificações do executivo

Henrique Ribeiro afirma que “necessita do carro para trabalhar e deslocar-me de um lado para o outro” o que o obriga a “vir com o carro para o trabalho”. “Não tenho essa alternativa” dos transportes públicos, conta.

Já Fernando Silva, profissional da zona, não concorda que a zona esteja assim tão bem em termos de transportes públicos. “Não é muito bem servida, só tem metro. Passa aqui um autocarro de vez em quando, se é que passa”.

Junto às ruas em questão localizam-se as estações do Metro do Porto de Ramalde e do Viso, com os autocarros 201 e 503 da STCP a fazerem a ligação à zona industrial.

O 201 viaja entre os Aliados e o Viso, com frequências que variam entre os 10 e 20 minutos durante o dia. Já o 503 liga o Bom Sucesso a Gatões, mas só passa, na melhor das hipóteses, de meia em meia hora.

 
 
 
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