Ópera evoca história e memórias da gente de Esposende e da sua ligação ao mar

Ópera evoca história e memórias da gente de Esposende e da sua ligação ao mar
| Norte
Porto Canal/Agências

O quarteto Contratempus apresenta na sexta-feira, em Esposende, a ópera “Torre da Memória”, de João Ricardo, com libreto de Francisca Camelo, inspirada nas gentes daquele concelho e na sua relação próxima e multissecular com o oceano, anunciou esta terça-feira a produção.

Em comunicado, o Quarteto Contratempus refere que o elenco reúne músicos profissionais e um coro comunitário.

“A referida criação artística resgata ainda o episódio histórico do naufrágio da lancha de S. João Novo, ocorrido em 1888, para lhe dar ênfase cronológico e sublinhar este tópico no conteúdo da ficção operática”, acrescenta.

A apresentação, em estreia, acontecerá na sexta-feira, no Fórum Esposendense.

“A ópera resulta de uma conjugação de vontades entre duas entidades e traduz-se, em termos práticos, numa coprodução entre o Quarteto Contratempus e o Município de Esposende”, diz ainda o comunicado.

A iniciativa insere-se nas comemorações dos 450 anos de elevação de Esposende a vila e da fundação do concelho.

Integra no elenco os alunos do agrupamento de escola António Correia de Oliveira e António Rodrigues Sampaio e os utentes do Centro de Acolhimento Temporário Emília Figueiredo – ASCRA, bem como homens e mulheres do mar.

Homens e mulheres, sublinha, “que foram os protagonistas da fase prévia de recolha de histórias e memórias locais, um labor iniciado em 2021 a comprovar o envolvimento e a manifestação de interesse da comunidade de Esposende no projeto, ainda na fase de produção artística”.

Através do "canto vivo e destemido" de uma vareira em terra, a ópera inicia uma viagem pela vida quotidiana da comunidade piscatória de Esposende no início do século XX.

Entre a pesca e a agricultura, o peixe e o sargaço, a fartura e a escassez, também as personagens envelhecem ao longo da narrativa, como se as quatro estações do ano marcassem o ritmo de uma vida inteira de saudade.

“Nesta impressão iconográfica de um passado tão à portuguesa, cabe a velocidade inacessível da natureza, a tentativa hercúlea de sobrevivência de uma comunidade pobre mas inquebrável e o compromisso profundamente amoroso entre quem fica e quem vai”, lê-se ainda no comunicado.

A viagem termina na evocação de uma tragédia marítima real.

A encenação é de Ivar Sverrisson, com assist~encia de Teresa Arcanjo e a direção musical, de Diogo Costa.

A lista de intérpretes inclui a soprano Teresa Nunes e o tenor Miguel Leitão (Tenor), os instrumentistas Crispim Luz (clarinete), Lauro Lira (violoncelo), Bernardo Pinhal (piano) e o o Coro Comunitário de Esposende, com posto por Ana Beatriz Rolo, Artur Ribeiro, Filipe Madureira, Gabriel Rodrigues, Joana Rocha, Mafalda Piedade, Margarida Praia, Margarida Sá, Maria Lima, Mariana Cepa, Patrícia Serra, Paulyne Caseiro, Rafael Madureira, Sílvia Cruz e Vítor Carvalho.

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