Qual é o tesouro escondido de Fernando Castro na Rua Costa Cabral, no Porto?

| Porto
Maria Leonor Coelho

No coração da cidade invicta, ao tocar à campainha do 716 da rua Costa Cabral, abrem-se portas para um tesouro, que tem muito pouco de vulgar. No interior deste edifício consta o resultado excêntrico e irreverente de 30 anos de vida de um portuense com um gosto quase obsessivo pelo colecionismo.

Pelo seu exterior, parece uma casa idêntica a tantas outras na cidade, mas no interior contempla uma vasta coleção de arte sacra desde a pintura, à escultura, passando ainda por um extenso manto de talha dourada, compilado por Fernando de Castro.

 
 
 
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O colecionador, poeta e caricaturista português nasceu nos finais do século XIX, no Porto. Era filho de um comerciante portuense que tinha uma loja de cristais e vidros na Rua das Flores. Morava com a família, na residência da rua Costa Cabral, mandada construir pelo pai, também Fernando de Castro.

À data da morte do pai, para além de se tornar dono da moradia no Porto, o caricaturista acabou por assumir os negócios da família, reunindo, assim, condições para iniciar a junção de todo este espólio.

Hoje em dia, a moradia, agora conhecida como Casa Museu Fernando de Castro, integra o Museu Nacional Soares dos Reis e está aberta ao público.

Ana Mântua, coordenadora da Casa Museu, acredita que “Fernando de Castro terá continuado um gosto que era do pai e que, depois, levou às últimas consequências de um barroquismo excessivo”.

Visita guiada pela irreverência

Ainda em vida, nos anos 40, o portuense abriu as portas da sua casa a alguns conterrâneos para lhes mostrar as coletâneas que havia reunido.

Numa visita guiada pelos três pisos do edifício, o especial interesse do colecionador pelo barroco nacional da talha dos conventos portugueses não passa despercebido. De acordo com a curadora Ana Mântua, o poeta conseguiu reunir estas peças devido à extinção dos claustros, em 1833.

Além disso, as paredes da casa de Fernando de Castro foram ainda forradas com centenas de peças de arte sacra, provenientes dos espaços religiosos que, com a lei da separação do Estado da Igreja, foram também espoliados.

Porto Canal

Durante 30 anos, o colecionador compilou dezenas de quadros naturalistas portugueses, da autoria de Marques de Oliveira, Silva Porto, Artur Loureiro, Henrique Pousão e Aurélia de Sousa.

Juntou também um repertório de cerâmica caricatural, no qual se incluem peças de Bordallo Pinheiro que, de certa forma, acabariam por espelhar um lado mais sarcástico de Fernando de Castro.

Segundo a coordenadora da Casa Museu, o portuense “ao constituir esta coleção na sua residência, quis deixar para a posteridade todo este legado”.

À data da morte do colecionador, em 1946, a residência foi herdada pela irmã, que tomou a decisão de a doar ao Museu Nacional Soares dos Reis, para que o tesouro nela escondido possa estar à vista de todos.

A Casa Museu pode agora ser visitada mediante marcação prévia.

Notícia editada por Francisco Graça

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