Muito mais do que chá e scones. A misteriosa comunidade Britânica do Porto e as tradições do Clube Inglês

Muito mais do que chá e scones. A misteriosa comunidade Britânica do Porto e as tradições do Clube Inglês
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Porto Canal

A relação entre os dois países é já bastante antiga. Nem sempre correu bem, é certo, especialmente se recordarmos o histórico episódio do ultimato britânico a Portugal, em 1890, exigindo a retirada das tropas portuguesas dos territórios de Angola e Moçambique.

Ainda que a história tenha alguns destes episódios, a relação entre Portugal e Inglaterra está longe de ser hostil. Muito pelo contrário. Aliás, a presença inglesa, no país e, especialmente na Invicta, é reforçada com a produção e comercialização de Vinho do Porto, desde meados do século XVII. Foi, desta forma, que várias famílias britânicas se começaram a instalar na cidade e a desenvolver o negócio dos vinhos, sendo que esta atratividade conta já com três séculos.

A Symington é exemplo de uma das mais antigas e que, ainda hoje, se mantém por cá. A família, que chegou em 1882, fez do Douro e do Porto a própria casa. Paul Symington, um dos grandes rostos da Symington Family Estates, é o gestor que transformou uma empresa familiar num ícone do vinho mundial.

Mas, à medida que o tempo foi passando, foram também mudando os motivos de fixação no país, ainda que grande parte dos que saem da Grã-Bretanha, para residir em Portugal, tenha descendência lusa.

 

 
 
 
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É o caso de Maria João Carrapato, atual presidente do Clube Inglês, situado no Campo Alegre. Chegou a Portugal aos 13 anos, acompanhada pela família. O pai, médico, vinha gerir uma série de unidades hospitalares. Fizeram-se sócios do clube inglês “desde o momento zero”, como Maria João conta, com orgulho. Estava na flor da adolescência, assim como o clube estava na flor da atividade e recorda, auxiliada por um sorriso tímido, os muros que saltava com os colegas, para usufruir das refeições, na exclusiva zona de restauração do clube, abandonando as humildes ementas da cantina da escola.

Desses tempos, lembra-se especialmente dos mergulhos na piscina, dos jogos de ténis e dos convívios entre as várias famílias de associados. E do cricket, claro. Até porque o primeiro jogo no clube já aconteceu há 100 anos e hoje, já no papel de presidente, faz questão de mencionar que o clube já tem uma equipa federada.

Inevitavelmente, o clube foi evoluindo e, embora a comunidade britânica do Porto esteja mais reduzida, o Clube Inglês continua a ser um dos locais preferidos para encontrar elementos da comunidade, beber um copo ao final do dia, no pub ou assistir a um dos jogos das variadas modalidades, praticadas no clube. Chá e scones fazem sempre parte da ementa. E se antigamente quem integrava o clube era apenas uma comunidade exclusivamente britânica, agora, existe um fluxo de sócios muito ativo e diversificado.

Ainda assim, diz, o grande desafio é captar as novas gerações, para que, à semelhança dos seus tempos de adolescente, cultivem o gosto e mantenham a tradição de frequentar o clube.

Em relação ao ensino inglês, a Oporto British School, situada na Foz há mais de 125 anos, foi a primeira escola britânica a abrir na Europa. Nick Sellers, atual diretor, revela que o estabelecimento de ensino começou por aceitar apenas rapazes britânicos e mais tarde abriu também para raparigas. Sinal, não só da evolução dos tempos, assim como da abertura da comunidade britânica que, concorda, terá sido bem mais fechada e exclusiva.

Atualmente, a escola tem mais de 500 alunos, sendo que na grande maioria são portugueses, que aproveitam o ensino na língua inglesa e a aposta contínua nos desportos e tradições britânicas.

Destes elementos, a grande maioria tem descendência na igreja anglicana. Apenas Paul Symington se manifestou como católico convicto, uma vez que a família da mãe, portuguesa, sempre foi educada com base no catolicismo.

Pelo menos, ao domingo, um dos pontos de encontro desta comunidade é a Igreja de St. James, no Largo da Maternidade Júlio Dinis. Uma igreja com mais de 200 anos de história, cuja liturgia é agora dirigida pelo padre David Hawthorn. Entre os elementos da congregação, Richard Delaforce, apesar do sotaque britânico, dá uma contextualização clara, e em bom português, da presença da colónia inglesa no Porto e do cemitério inglês que é, agora, a última morada de cidadãos britânicos, mas também dos familiares que, maioritariamente já são portugueses.

Outrora com cerca de setecentos elementos, esta congregação tem, agora, perto de setenta. Muito representativa da comunidade, que também foi reduzindo com o passar dos anos.

“Mas não aparecem todos os domingos”, confidencia o padre David que, no alto da sua boa disposição, reconhece que a comunidade tem tradições e uma cultura muito próprias, mas que, no geral, abraça a cultura portuguesa.

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