Avaliação das redes sociais pode prevenir morte em pessoas com epilepsia

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 01 mar 2022 (Lusa) -- As redes sociais podem servir para detetar comportamentos que antecedem a morte súbita em pessoas com epilepsia, constituindo um alerta para prevenir estas situações, concluiu um estudo de várias instituições científicas hoje divulgado.

"Os resultados do estudo, publicados na revista Epilepsy & Behavior, revelam que a atividade de pacientes com epilepsia nas redes sociais aumentou antes da sua morte súbita", adiantou o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), uma das instituições envolvidas nesta investigação, em conjunto com a Binghamton University (State University de Nova Iorque) e a Indiana University.

A morte súbita inesperada em pacientes com epilepsia (SUDEP - sudden unexpected death in epilepsy) é considerada a principal causa de morte em pessoas com convulsões epiléticas não controladas e ocorre sem que seja encontrada uma causa.

Segundo o IGC, apesar de se desconhecerem os mecanismos fisiológicos da SUDEP, sabe-se que as convulsões frequentes são um fator de risco importante, sendo o controlo das dessas convulsões através de medicação uma das formas de prevenção.

"A alteração de comportamentos, como a redução do stress e a minimização de outros fatores de risco, é também essencial para diminuir o risco de convulsões e de SUDEP", adiantou a Gulbenkian Ciência, justificando que a motivação para o estudo passou por medir os estados emocionais através de um algoritmo.

A partir desse pressuposto, os investigadores exploraram a viabilidade de utilizar as redes sociais para identificar padrões de comportamento que pudessem prever a SUDEP.

O estudo analisou as cronologias do Facebook de seis doentes com epilepsia que morreram por SUDEP e utilizaram várias ferramentas para decifrar as emoções e quaisquer marcadores de stress escondidos nas suas publicações escritas, adiantou o instituto em comunicado.

"A primeira coisa que tentámos perceber foi simplesmente se a quantidade de texto aumentava na plataforma imediatamente antes da sua morte. Foi isso que aconteceu", explicou Rion Brattig Correia, primeiro coautor do estudo e investigador do IGC e da Binghamton University.

Para além disso, o tipo de palavras usadas mudou e foram identificadas flutuações drásticas de sentimentos nas publicações nesta rede social nas semanas anteriores à sua morte.

"Encontrámos alterações significativas no comportamento digital dos pacientes que foram detetadas como sinais pelos nossos algoritmos", nota Ian Wood, investigador da Indiana University e coautor do estudo.

De acordo com as conclusões agora divulgadas, estas alterações de atividade nas redes sociais, assim como dos sentimentos por trás das suas publicações, poderão servir como possíveis sinais de alerta para a SUDEP e permitir desenvolver medidas preventivas.

Este trabalho de investigação envolveu cientistas das áreas da informática e dos sistemas complexos, investigadores clínicos e do comportamento na área da epilepsia e que contou com o apoio da Epilepsy Foundation of America.

No futuro, os autores pretendem validar o poder preditivo destes dados comportamentais extraídos das redes sociais em estudos clínicos que envolvam mais pessoas e mais dados.

Se o comportamento digital dos pacientes se provar útil na previsão da SUDEP, esta análise poderá ser estendida a outras plataformas, para além do Facebook, ajudando a prevenir mortes por SUDEP.

"Este método poderá ser aplicado a quaisquer dados de comportamento digital, como SMS ou chats, chamadas telefónicas, entre outros", sublinhou Ian Wood.

Financiada pelo National Institutes of Health (National Library of Medicine) dos EUA, a equipa está atualmente a desenvolver um serviço `online´ personalizado para a epilepsia - o myAura -, que incluirá vários dados clínicos e não clínicos, nomeadamente auto relatos dos pacientes sobre convulsões, adesão à medicação e consultas.

Este serviço intuitivo vai incluir também uma opção para os utilizadores doarem as suas redes sociais, tornando estes dados mais acessíveis para estudos de maiores dimensões, avançou o IGC.

PC // ZO

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