Falta informação sobre estratégias locais de adaptação a alterações climáticas na UE

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 14 mai (Lusa) -- As estratégias locais de adaptação às alterações climáticas na União Europeia (UE) carecem de divulgação, indica um estudo coordenado pelo Centro de Estudos Florestais (CEF) do Instituto Superior de Agronomia.

Publicado na revista científica "Environmental Science and Policy", o estudo "Adaptação às Alterações Climáticas na Europa ao nível local: uma revisão", alerta que "há uma falta de informação sobre as estratégias de adaptação existentes a nível local pelos vários Estados membros da UE, bem como o avanço da sua implementação".

No entanto as vulnerabilidades climáticas da Europa e os crescentes impactos das alterações climáticas têm impulsionado iniciativas como a Estratégia Europeia de Adaptação ou o Pacto de Autarcas para o Clima e Energia, este reunindo centenas de municípios e regiões.

Os autores do estudo notam que há vários padrões de planeamento de adaptação na Europa, com as grandes cidades a recorrerem a financiamento local próprio e as zonas menos urbanas e o sul e este da Europa a recorrerem a fundos nacionais e internacionais.

"Portugal destacou-se dos outros países europeus pela elaboração de estratégias em municípios com características muito diferentes e pela distribuição territorialmente homogénea de estratégias, abrangendo pequenos municípios, como São João da Pesqueira e Montalegre e grandes cidades, como Lisboa e Porto", salientam os autores.

Na Europa são as inundações, urbanas e rurais, as secas, as ondas de calor e temperaturas extremas as vulnerabilidades mais prementes e por isso nesses casos o planeamento e adaptação têm uma grande relevância.

O aumento da temperatura, as temperaturas extremas e as inundações têm levado os setores da construção e planeamento a adaptar-se, segundo o estudo, que destaca também a preocupação nas zonas costeiras quanto à subida do nível médio do mar.

"As principais barreiras que necessitam de ser transpostas para colocar em marcha muitos dos planos de adaptação são a insuficiência de recursos humanos e financeiros, a falta de capacidade técnica, falha nos compromissos políticos e a incerteza (climática, por exemplo), sobressaindo a dependência do financiamento externo em muitos dos casos", diz-se no documento.

Para o estudo, os autores, incluindo os investigadores do CEF Francisca Aguiar e João Silva, compilaram estratégias locais europeias de adaptação às alterações climáticas, juntando 147 documentos oficiais de 19 países da UE e Noruega.

FP // JMR

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