Valores de precipitação há 20 anos na Ribeira Quente ultrapassaram limites do aviso vermelho

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Porto Canal com Lusa

Ponta Delgada, Açores, 29 out (Lusa) -- Os valores de precipitação a 31 de outubro de 1997, na Ribeira Quente, Açores, onde derrocadas mataram 29 pessoas, ultrapassaram os limites do aviso vermelho, disse hoje um responsável do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"Foram valores superiores a 200 mm em 24 horas que, hoje em dia, ultrapassariam largamente os limites normalmente fixos para o aviso vermelho de precipitação", afirmou à agência Lusa Diamantino Henriques, delegado do IPMA nos Açores.

O responsável, que aquando da catástrofe da Ribeira Quente, estava em Lisboa, no então designado Instituto de Meteorologia, recorda-se de ter visto na televisão a "situação traumática vivida" na freguesia piscatória da Ribeira Quente.

Duas décadas após a tragédia, o delegado do IPMA nos Açores refere que "setembro e outubro de 1997 foram dois meses bastante chuvosos" e "os solos não conseguiram conter mais água".

"Tínhamos uma depressão a sul que estava a transportar ar húmido para São Miguel e que terá sido responsável pelo culminar da tragédia", explicou, sublinhando que à data "não havia propriamente um sistema de avisos como o atual".

Segundo Diamantino Henriques, estas tragédias alertam especialistas para determinadas situações que potenciam mais perigo em zonas de maior instabilidade.

"Às vezes até exageramos nos avisos meteorológicos, porque sabemos que determinadas condições podem causar grandes estragos", referiu o delegado do IPMA.

O meteorologista considerou ainda que fazer "uma previsão para a escala insular já é um avanço muito grande", mas insistiu na necessidade de os Açores disporem de um radar meteorológico.

A necessidade de se instalarem radares meteorológicos nos Açores tem sido defendida também pelas autoridades regionais, tendo o próprio presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, enviado uma carta ao primeiro-ministro, António Costa, apelando para a urgência deste processo, depois de o Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América ter comunicado ao IPMA que iria desmantelar o radar instalado na Terceira, o único existente na região.

De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), divulgada em outubro, está prevista a concretização da instalação da rede de radares meteorológicos dos Açores, uma medida que já estava contemplada no Orçamento deste ano.

"Durante uma altura tivemos acesso ao radar de Santa Bárbara [na ilha Terceira] já após a tragédia da Ribeira Quente, mas agora estamos outra vez sem radar. Neste aspeto não melhorámos nada, não temos meios para detetar à escala das ilhas a distribuição da precipitação", acrescentou Diamantino Henriques.

Ainda assim, e de acordo com o responsável do IPMA no arquipélago, atualmente já se consegue saber com mais precisão as condições meteorológicas e nesse aspeto houve avanços.

Pedro Mata, que era o responsável pela Meteorologia nos Açores no ano em que ocorreu a catástrofe na freguesia da Ribeira Quente, referiu à Lusa que "as situações de mau tempo ficam sempre marcadas nas carreiras dos meteorologistas" e, em particular, a madrugada de 31 de outubro de 1997.

"Sabíamos que ia chover muito incluindo na Povoação, Ribeira Quente e Nordeste, tal como já tinha sucedido há uns 15 a 20 dias antes. Mas, a nossa preocupação era se a ribeira, na freguesia, ia voltar a encher. Contudo, o que aconteceu foi o contrário, porque os terrenos tinham agua a mais, o que originou derrocadas", explicou.

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