Governo vê na ocupação do território o melhor corta-fogos

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Porto Canal com Lusa

Covilhã, Castelo Branco, 06 jul (Lusa) - O secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson Souza, considerou hoje que a ocupação do território do Interior é o "melhor corta-fogos" e a melhor forma de prevenção para evitar tragédias.

"Não tenhamos dúvidas que este objetivo de ocupar bem, de uma forma ordenada e de uma forma sustentável o território constitui, sem dúvida nenhuma, o melhor corta-fogos e a melhor prevenção para situações como a que vivemos e que assolaram tão violentamente a zona Centro", afirmou.

Nelson Souza falava na Covilhã, distrito de Castelo Branco, durante a sessão de abertura do 24.º Congresso Anual da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional.

Lembrando a "coincidência" de esta iniciativa se realizar num tempo em que ainda todos recordam as graves consequências do incêndio que deflagrou no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos, o governante também salientou a oportunidade do evento, cujas reflexões poderão afirmar-se como um contributo para a definição das estratégias e das políticas públicas que serão implementadas na sequência dos fogos e a nível do desenvolvimento regional.

"O contributo que podemos dar é debatermos a forma como estes territórios conhecidos e denominados como de baixa densidade podem ser ocupados de forma sustentável, racional e de uma forma que previna situações [semelhantes]", afirmou.

Nesse sentido, lembrou que hoje o Conselho de Ministro decide um conjunto de apoios e ações de políticas públicas que vão ser desenvolvidas e recordou que as mesmas terão um pacote financeiro total de 500 milhões de euros, a concretizar em duas etapas.

A primeira implica um investimento de 200 milhões de euros e visa dar resposta imediata aos prejuízos e situações de urgência, de modo a "mitigar as dificuldades".

"Trata-se de acudir e repor as condições de operacionalidade e de normalidade, tanto quanto é possível, para essas pessoas", esclareceu.

Segundo disse, o plano terá ainda uma segunda fase com um volume financeiro de 300 milhões de euros destinados "à mudança estrutural da forma como se olha para a gestão daqueles territórios".

Para o efeito, esclareceu, será desenvolvido um projeto-piloto de medidas de prevenção e ordenamento da floresta na zona afetada pelos incêndios, mas que não se esgota nos concelhos afetados. Dele devem resultar "boas experiências" para replicar noutras regiões.

"Esse projeto-piloto vai ser acompanhado de outro processo de reflexão sobre o relançamento de uma base económica renovada daqueles territórios e que permita garantir o sustento e a fixação [das pessoas] e se possível a atração de novas populações para repovoar ou, pelo menos, povoar esses territórios", disse.

De acordo com o secretário de Estado, as medidas públicas têm de passar pela atração de "mais recursos humanos qualificados, de mais talentos, de capital e de novas empresas para aqueles territórios", mas tudo isso deverá ser feito de uma "forma coerente", "territorialmente enquadrada" e que saiba aproveitar e "colocar mais valor" nos recursos endógenos existentes, como os recursos florestais, agrícolas e paisagísticos.

CYC // SSS

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