Adesão "entusiasmante" e "enorme compreensão" no começo da greve - sindicatos

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Porto Canal / Agências

Lisboa, 08 nov (Lusa) - Uma adesão "entusiasmante" à greve na função pública e uma "enorme compreensão" por parte dos trabalhadores que não aderiram, foi o que constataram hoje dois dirigentes sindicais nas primeiras horas de paralisação.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou que, tanto em Lisboa como em Loures, a adesão dos trabalhadores das recolhas de lixo dos serviços municipalizados esteve perto dos cem por cento, pouco depois das 00:00.

Apesar dos dados oficiais só serem conhecidos de manhã, Carlos Silva enalteceu sobretudo "a enorme compreensão para esta luta, por parte de colegas que não têm condições para perder um dia de salário".

Segundo Carlos Silva, entre os trabalhadores estão a circular autocolantes que dizem "Eu estou em greve" e "Eu estou solidário", evitando-se assim um clima de nervosismo entre quem aderiu e não aderiu à paralisação.

Para o secretário-geral da UGT, os trabalhadores não entendem o discurso do Governo "em relação aos números de desemprego, ou que se está a sair da crise", porque há uma contradição com a "violência" inscrita na proposta de Orçamento do estado para 2014.

Francisco Brás, do Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL), disse à agência Lusa que a adesão à greve dos trabalhadores daquele setor é "francamente entusiasmante".

"São várias as autarquias que se mantêm nos cem por cento, Alandroal, Amadora, Barcelos, Braga, Moita, Palmela, com grandes adesões. Vila Nova de Gaia e Famalicão com 70 por cento", declarou.

Também nas visitas aos piquetes de greve, Francisco Brás registou lamentos dos trabalhadores, que se queixaram que é muito difícil paralisar, porque lhes custa perder um dia de salário.

O agravamento dos cortes salariais para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem esta greve, que poderá levar ao encerramento de escolas, tribunais, finanças e deixar o lixo por recolher nas ruas.

A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue no dia 15 de outubro no parlamento, prevê que seja "aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das administrações públicas.

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.

SS(RRA) // ARA

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