Linha do Tua deixa de integrar rede ferroviária nacional para projeto turístico

| Norte
Porto Canal com Lusa

Bragança, 30 ago (Lusa) -- A linha do Tua vai desaparecer definitivamente da rede ferroviária nacional para dar lugar a um projeto turístico integrado no plano de mobilidade exigido como contrapartida da construção da barragem de Foz Tua.

O Governo resolveu desclassificar da rede ferroviária nacional o que restava da centenária linha, menos de 60 quilómetros entre o Tua e Mirandela, decisão que retira da exploração comercial de passageiros este troço de caminho-de-ferro desativado desde 2008, na sequência de vários acidentes com quatro mortos.

A decisão de 28 de julho do Conselho de Ministro foi hoje publicada em Diário da República

e determina que "a exploração do serviço público de transporte nos troços desclassificados cessa com a entrada em funcionamento do projeto de mobilidade.

A linha do Tua já teve quase 134 quilómetros, entre Bragança e a foz do Tua, com ligação à linha do Douro, mas foi sendo desativada por troços, desde 1991, e deixa de existir para transporte comercial de passageiros com a desclassificação do último troço.

O plano de mobilidade para a região tem sido uma das contrapartidas mais polémicas previstas nas condicionantes impostas para a construção da barragem de Foz Tua, iniciada em 2011 e que se encontra em fase de conclusão, na confluência dos concelhos de Carrazeda de Ansiães (Bragança) e Alijó (Vila Real).

A EDP, concessionária do empreendimento hidroelétrico, disponibilizou 10 milhões de euros para a mobilidade, que inicialmente previa um investimento de várias dezenas de milhões de euros em barcos para navegar na nova albufeira e a recuperação da parte da linha que não ficará submersa, entre Brunheda e Mirandela, para viagens de comboio turísticas e para o quotidiano das gentes locais.

A Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua, constituída pela EDP e os cinco municípios da área de influência da barragem (Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Mirandela, Alijó e Murça) não conseguiu financiamento comunitário para a verba que faltava, nem interessados num concurso público para serem privados a executar e explorar o projeto.

Ainda sem nenhum anúncio oficial, autarcas locais e o próprio empresário da Douro Azul, Mário Ferreira, têm confirmado publicamente que constitui uma nova empresa para explorar turisticamente este troço do Tua, apenas com os 10 milhões da EDP.

O Governo entendeu que se "encontram reunidos os pressupostos que justificam a desclassificação da linha do Tua", em conformidade com a legislação nacional, "que admite ainda que os bens desclassificados sejam explorados por uma entidade que se proponha fazê-lo".

O documento indica que "o disposto na presente resolução mereceu a concordância dos municípios, bem como da CP --- Comboios de Portugal, do Metro Ligeiro de Mirandela, do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e da Infraestruturas de Portugal.

A resolução determina ainda que "os terrenos, imóveis e equipamentos dos troços desclassificados permanecem integrados no domínio público ferroviário sob gestão da Infraestruturas de Portugal" e que a futura exploração "seja efetuada pelo operador que, no âmbito do projeto de mobilidade aprovado e em cooperação com as autarquias locais, se proponha fazê-lo, nos termos e condições a regular contratualmente".

Caberá à Infraestruturas de Portugal desenvolver as diligências e praticar todos os atos necessários para assegurar a exploração da infraestrutura desclassificada.

A exploração do serviço público de transporte, atualmente assegurada por táxis pagos no âmbito de um acordo entre a CP e a Metro de Mirandela, que fazia o transporte na antiga linha, "cessa com a entrada em funcionamento do projeto de mobilidade", segundo ainda o documento.

HFI // MSP

Lusa/fim

+ notícias: Norte

Resgatado homem de mota de água arrastada pela corrente na barra de Esposende

Um homem de 49 anos foi resgatado “já com sinais de hipotermia” após ter sido arrastado, este sábado, na mota de água onde seguia devido à corrente marítima na barra de Esposende, avançou a Autoridade Marítima Nacional (AMN).

Investigação científica e sustentabilidade ambiental são prioridades da Fundação Côa Parque

O novo presidente da Fundação Côa Parque tem um programa e uma estratégia delineada para atrair visitantes tanto ao Museu do Côa como ao Parque Arqueológico, em que a investigação científica e as exposições temporárias assumem destaque.

Três pescadores desaparecidos após naufrágio em Caminha

A Autoridade Marítima Nacional está a efetuar buscas por três pescadores, de nacionalidade indonésia, ao largo de Caminha, que se encontram desaparecidos no mar após a embarcação de pesca local em que seguiam ter naufragado este domingo cerca das 12h20.