Info

Cientistas medem tamanho do núcleo do hélio com "precisão sem precedentes"

| País
Porto Canal com Lusa

Coimbra, 27 jan 2021 (Lusa) -- Uma equipa internacional de investigadores, entre os quais cientistas das universidades de Aveiro, de Coimbra e Nova de Lisboa, mediu o raio do núcleo atómico do hélio com "um nível de precisão sem precedentes", foi hoje anunciado.

Utilizando muões ("partículas semelhantes aos eletrões e cerca de 200 vezes mais pesadas"), as experiências foram realizadas no Paul Scherrer Institut (PSI), na Suíça, que é "o único centro de investigação do mundo capaz de produzir uma quantidade suficiente de muões para esta investigação", indica a Universidade de Coimbra (UC), numa nota divulgada hoje.

Os resultados serão publicados na quinta-feira na revista científica Nature.

A seguir ao hidrogénio, o hélio é o segundo elemento mais abundante no universo, sublinha a UC.

"Cerca de um quarto dos núcleos atómicos que se formaram nos primeiros minutos após o Big Bang eram núcleos de hélio. Eles são constituídos por quatro blocos de construção: dois protões e dois neutrões".

Do ponto de vista da física fundamental, é "crucial conhecer as propriedades do núcleo do hélio para, entre outros, entender os processos de outros núcleos atómicos que são mais pesados do que o hélio", sustenta a UC, no mesmo comunicado.

"Tal como tinha acontecido com o protão, o conhecimento prévio sobre o núcleo de hélio provém de experiências com eletrões".

Esta colaboração, destaca a UC, "desenvolveu um novo método para a medição, utilizando muões em vez de eletrões, o que permitiu determinar o tamanho do núcleo do hélio com uma precisão cerca de cinco vezes superior à das anteriores medições".

De acordo com os resultados obtidos, o designado "raio de carga médio do núcleo do hélio é 1,67824 fentómetros", refere a UC, adiantando que "há mil biliões de fentómetros num metro".

O estudo contou com a colaboração de 40 cientistas, provenientes da Alemanha (entre os quais T. W. Hänsch, prémio Nobel da Física de 2005), Suíça, França, Taiwan e Portugal.

Cinco investigadores são da Universidade de Coimbra (Luís Fernandes, Fernando Amaro, Cristina Monteiro, Andreia Gouvea e Joaquim Santos, o coordenador), três da Universidade Nova de Lisboa (Jorge Machado, Pedro Amaro e José Paulo Santos, o coordenador) e dois da Universidade de Aveiro (Daniel Covita e João Veloso, o coordenador).

De acordo com a UC, a equipa portuguesa deu uma contribuição decisiva para o sistema de deteção dos raios-X emitidos pelos átomos muónicos, para o sistema de controlo e monitorização da experiência, e para a teoria.

Esta colaboração internacional já tinha medido o raio do protão em 2010, utilizando a mesma abordagem. Nessa altura, o valor medido diferia do obtido por outros métodos de medição que utilizavam eletrões.

"Desta vez, não há contradição entre o novo valor mais preciso e as medições efetuadas com os outros métodos", salienta a UC, notando que "a medição deste trabalho pode ser utilizada em vários contextos".

As medições do hélio muónico também podem ser comparadas com as que são obtidas em experiências em que são utilizados átomos e iões "normais".

A medição agora alcançada resulta de "20 anos de colaboração comprovada entre institutos de renome internacional", incluindo PSI, ETH Zurich, o Instituto Max Planck de Ótica Quântica, em Garching, o Institut für Strahlwerkzeuge da Universidade de Stuttgart e o PRISMA + Cluster de Excelência na Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, bem como o Laboratório Kastler-Brossel, em Paris, e as universidades de Coimbra, de Aveiro e Nova de Lisboa, em Portugal, e Nacional Tsing Hua, no Taiwan.

O trabalho foi financiado pelo European Research Council, pela Swiss National Science Foundation, German Research Foundation e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, entre outras entidades.

JEF // SSS

Lusa/Fim

+ notícias: País

Portugal com 41 mortes e 718 casos de infeção por Covid-19 nas últimas 24 horas

Portugal registou hoje 41 mortos relacionadas com a covid-19 e 718 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Covid-19/Um ano: Menos 3.100 cirurgias nos IPO e menos doentes referenciados pelos centros de saúde

Os três IPO realizaram em 2020 passado menos 3.100 cirurgias oncológicas do que no ano anterior e houve menos 2.380 doentes referenciados para estes institutos pelos centros de saúde.

Covid-19/Um ano: SNS perdeu quase mil médicos em 2020

A pandemia de covid-19 foi um teste ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que já tinha escassez de meios humanos e que, mesmo com as novas contratações, acabou o ano 2020 com quase menos mil médicos do que começou.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.
Zoom Zoom Z o o m