Jornal Diário Jornal das 13 Último Jornal

Cientistas portugueses revelam primeira sequência do genoma do sobreiro

| País
Porto Canal com Lusa

Beja, 23 mai (Lusa) - Uma equipa de cientistas portugueses descodificou a primeira sequência do genoma do sobreiro e divulgou uma versão preliminar, considerada "uma importante ferramenta para o avanço do conhecimento da genética" da árvore.

Trata-se de "uma versão preliminar, mas é muito útil e já é a informação mais completa jamais disponibilizada à comunidade", disse hoje à agência Lusa Marcos Ramos, do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Alentejo (CEBAL), uma das instituições portuguesas envolvidas no projeto 'GenoSuber - sequenciação do genoma do sobreiro'.

Segundo o investigador, esta versão é "uma importante ferramenta para o avanço do conhecimento da genética do sobreiro", em particular para as equipas de investigadores portugueses que "há muito aspiravam aceder à sequência do genoma da árvore para alicerçar os seus trabalhos de investigação científica e de apoio à fileira do sobreiro e da cortiça".

A versão foi revelada no meio científico na terça-feira num artigo publicado na revista científica britânica Nature e está disponível para todo o mundo na base de dados internacional e gratuita do Centro Nacional de Informação Biotecnológica da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Através do 'GenoSuber', a equipa de cientistas coordenada pelo CEBAL "identificou a sequência de mais de 900 milhões de pares de bases do ADN de uma árvore selecionada", o sobreiro HL8, que "cresce desde o século XIX na Herdade dos Leitões", no concelho de Ponte de Sor, distrito de Portalegre.

Em termos comparativos, "o genoma do sobreiro é maior do que o do arroz, mas tem apenas 1/3 da dimensão do genoma humano", disse Marcos Ramos, referindo que o estudo da equipa vai continuar para "aprofundar e aperfeiçoar" a versão preliminar já tornada pública. Uma versão mais desenvolvida deverá ser divulgada ainda este ano.

Em paralelo, indicou, a equipa está também "a investigar os processos biológicos envolvidos na formação e na qualidade da cortiça" e a gerir uma população de sobreiros F1, "a única população de sobreiros com 'pedigree' conhecido".

O 'GenoSuber' é o maior projeto de sequenciação levado a cabo em Portugal e "é particularmente relevante que tenha incidido sobre o sobreiro, que é um dos maiores símbolos nacionais e foi declarado árvore nacional, em dezembro de 2011, pela Assembleia da República", sublinhou Marcos Ramos.

Depois de "longos anos de esforço e persistência para angariar os fundos necessários", o projeto 'GenoSuber' arrancou em finais de 2013 com financiamento comunitário, através do programa InAlentejo, e de vários patrocinadores privados, lembrou o investigador.

Além do CEBAL, que tem sede em Beja, o projeto envolve o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o iBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, o Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa.

O 'Genosuber' já conquistou o prémio Vida Rural Alqueva, em abril de 2015, e o prémio de Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola, na categoria "Projetos de Elevado Potencial Promovido por Associado do Crédito Agrícola", em dezembro de 2015.

LL // JMR

Lusa/Fim

+ notícias: País

Trabalhadores do Infarmed voltam a rejeitar deslocalização para o Porto

A quase totalidade dos trabalhadores do Infarmed discorda da deslocalização da Autoridade do Medicamento de Lisboa para o Porto e apenas sete por cento estaria disponível para se mudar, segundo dados de um inquérito realizado hoje.

Ordem dos Médicos diz que relatório mostra que parceiros têm razão sobre lacunas na saúde

O bastonário da Ordem dos Médicos considera que o Relatório de Primavera 2018, que aponta diversas lacunas ao nível da saúde, veio apenas demonstrar o que tem sido referido pelos parceiros do setor sobre a falta de investimento no setor.

Atualizado 19-06-2018 15:11

Cuidados domiciliários perderam 655 camas em três anos

Os lugares nos cuidados continuados integrados aumentaram 1.048 nos últimos três anos, mas perderam-se mais de 650 camas nos cuidados domiciliários, falhando o objetivo de privilegiar a domiciliação e as respostas comunitárias.

Atualizado 19-06-2018 15:10

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.