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Governo é principal alvo de protesto de Movimento anti-petróleo do Algarve

| Política
Porto Canal com Lusa

Loulé, Faro, 14 fev (Lusa) -- O Governo é o principal alvo do protesto que o Movimento Algarve Livre de Petróleo (MALP) realiza na sexta-feira, em Loulé, contra a renovação de uma licença para prospeção petrolífera ao largo de Aljezur, disse hoje um dos organizadores.

João Eduardo Martins, integrante do MALP, disse à agência Lusa que a convocatória está feita para as 16:00, em frente à Câmara de Loulé, "uma autarquia do PS", localizada na "zona central do Algarve", que foi escolhida para ser palco de uma vigília contra a decisão do executivo socialista, apoiado pelo PCP e pelo PEV no Parlamento, de renovar por um ano a licença para um consórcio petrolífero realizar prospeção em Aljezur, na costa vicentina.

"Vamos levar a cabo este protesto na sequência da autorização, pelo Governo de António Costa, da prospeção e da exploração de petróleo ao largo de Aljezur. Consideramos que é uma completa falta de respeito pela população do Algarve por parte deste Governo, porque houve uma recomendação da Assembleia da República, aprovada por todos os partidos, no sentido de suspender esta prospeção ao largo de Aljezur, e o Governo desrespeitou essa recomendação da Assembleia da República", criticou João Eduardo Martins.

A mesma fonte lembrou que os "autarcas se pronunciaram contra e o Governo desrespeitou a decisão dos autarcas", assim como "o resultado da consulta pública" realizada sobre a prospeção petrolífera, que contou com mais de 40.000 objeções manifestadas.

João Eduardo Martins apontou o posicionamento contra a renovação da licença manifestado pela Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), pelos "empresários" da região, pela Região de Turismo, dos grupos e movimentos ambientais, lamentando que o Governo não os tenha ouvido.

"Portanto, isto quer dizer que temos um Governo que vai contra tudo e todos, que se põe do lado das petrolíferas, e nós consideramos isto inaceitável", afirmou este porta-voz do movimento.

A mesma fonte considerou que o executivo central está perante "uma multidão enorme e representantes das populações do Algarve a dizer que não querem exploração de petróleo" na região e, "inexplicavelmente, continua a insistir" nessa opção.

"Não vamos aceitar isso, porque achamos que o Governo não pode fazer tudo aquilo que quer. Não é o posso, quero e mando e é a voz das populações que conta", acrescentou.

João Eduardo Martins disse que o MALP "não quer" a exploração petrolífera e justificou esta posição com o argumento de se tratar de uma atividade "vai destruir a sustentabilidade económica, ambiental e social da região".

O dirigente do MALP disse ainda que o movimento "continua à espera" que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aceite reunir-se com "representantes dos grupos que têm lutado aqui contra a exploração de petróleo", como prometeu durante uma visita à região, para pedirem ao chefe de Estado que interceda "junto do Governo do dr. António Costa, para chamá-lo à razão".

"Quer-se um turismo de excelência, cada vez mais se fala num turismo de natureza, e não bate a bota com a perdigota explorar petróleo na região de turismo que é o Algarve", reiterou João Eduardo Martins, considerando necessário que "alguém intervenha junto do senhor primeiro-ministro para travar" uma exploração que representa "uma catástrofe para a região do Algarve".

MHC // MCL

Lusa/fim

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