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"Violentómetro" quer identificar comportamentos de violência em alunos na UTAD

| Norte
Porto Canal com Lusa

 A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, vai distribuir na quinta-feira o "Violentómetro" pelos alunos, uma ferramenta que visa ajudar a detetar, alertar e denunciar comportamentos de violência entre os universitários.

Segundo anunciou hoje a academia transmontana, em comunicado, os estudantes do Núcleo de Psicologia da UTAD farão na quinta-feira, na Escola de Ciências Humanas e Sociais, na Biblioteca e na Escola de Enfermagem/Ciências da Saúde, a distribuição do "Violentómetro", que se traduz em material gráfico e didático, junto dos colegas.

Esta ferramenta foi adaptada de um modelo desenvolvido por uma universidade mexicana, e consiste num material gráfico e didático em forma de régua no qual se visualizam manifestações implícitas e explicitas de violência, algumas delas tornadas naturais no quotidiano e na sociedade.

"Trata-se de uma ferramenta de sensibilização que visa ajudar na deteção, alerta e denúncia deste tipo de situações que afetam a liberdade e tranquilidade de mulheres e homens, que ocorrem nas relações interpessoais e que podem ser experienciados nos contextos escolares, laborais e nas relações de intimidade", afirmou Ricardo Barroso, docente e investigador da UTAD, e especialista na área da psicologia clínica e justiça.

O "Violentómetro" resulta de um processo de investigação cujo objetivo é identificar comportamentos violentos quotidianos, alertar sobre eles e evidenciar o risco a que se expõem mulheres e homens.

Vários estudos têm identificado que a violência física e psicológica se apresenta muitas vezes de forma dissimulada, manifestada, por exemplo, em cenas de ciúmes e ameaças associadas, em chamadas constantes para o telemóvel, ou em proibições da forma de vestir".

Estes comportamentos, de acordo com o investigador, são encarados, por vezes, como toleráveis e percecionados como normais e eventualmente entendidos como demonstrações de carinho, atenção e amor.

"Muitos destes comportamentos decorrem de papéis de género transmitidos desde muito cedo, aprendidos e reforçados quotidianamente, e isso permite que, em muitas ocasiões, se gerem situações de violência de diferentes tipos", afirmou Ricardo Barroso.

O especialista acrescentou que "face a este cenário, importa consciencializar as pessoas para estes comportamentos violentos desde as suas primeiras ocorrências, impedindo a que eles ocorram ou que continuem a manifestar-se".

A iniciativa partiu da direção do curso de psicologia da UTAD e insere-se nas comemorações do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se celebra a 25 de novembro.

Conta com o apoio da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e da Câmara Municipal de Vila Real, através do projeto Mais Social.

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