Primeiro-ministro diz que sector privado fez melhor ajustamento que público

Porto Canal
O primeiro-ministro, Passos Coelho, defendeu hoje que o setor privado fez um ajustamento "muito mais veemente, rápido e profundo" e com maiores "sacrifícios" que a o setor público, constrangido por motivos "legais".
O chefe do Governo falava na abertura da convenção empresarial "sobreviver e crescer", promovida pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), no centro de congressos de Lisboa.
"O ajustamento do lado privado foi muito mais veemente, rápido e profundo. Mas nem sempre essa perceção ou as consequências que resultam dela são devidamente apreendidas por toda a gente que intervém no debate público", argumentou Passos Coelho.
O chefe do executivo referiu-se às "dificuldades a propósito das medidas que o Governo deve adotar para controlar a despesa pública primária", nomeadamente a que "tem maior dimensão, que são os salários, as pensões e as transferências sociais".
"O nível de redução que foi efetuado pelas políticas públicas nestas áreas, que pesam mais de 75% da despesa do Estado, compara mal com a contração que foi feita no setor privado", declarou
Segundo Passos, "ficou claro, com a publicação ontem [terça-feira] do boletim de outono do Banco de Portugal, que no setor privado as empresas agiram de acordo com as condições".
"À medida que a desalavancagem financeira teve lugar e que a procura interna se exprimiu de uma forma mais forte, as empresas procuraram, em primeiro lugar, viabilizar a sua existência, procurando também conservar o emprego, congelando os salários, depois reduzindo os salários, em simultâneo procurando adaptar-se a novas condições de mercado, algumas delas voltarem-se ainda mais para o exterior", sustentou.
"Todas estas condições, que pragmaticamente foram enfrentadas pelas empresas, o Estado tem mais dificuldade, do ponto de vista legal, até, em acompanhar. O que não significa que para o país não seja igualmente importante", disse.